menu-topo

O que correu mal quando vim trabalhar para casa

quarta-feira, fevereiro 06, 2019
Na verdade não posso dizer que correu mal. Foi uma experiência e, como todas, são importantes. Levam-nos a ter foco no que queremos. A corrigir erros. A percebermos o que nos serve. 
Trabalhar em casa não é para mim. Principalmente e em destaque, pelo facto de escrever sobre pessoas e as suas histórias. Não posso estar fechada, sem falar com ninguém todo o dia. Preciso. muito de estar a receber inputs, a conversar com amigos e estranhos, a ver gente e a meter conversa.
Este foi o primeiro ponto. O isolamento. 
Por outro lado, a arrumação. Trabalhar numa casa acabada de arrumar é ótimo,  mas naqueles dias de correria, camas por fazer, máquinas por fazer, matou-me. Havia sempre alguma distração ou tarefa para fazer. Mais do que isso, para mim o ambiente à volta interessa. E se as coisas não estavam como eu queria (de manhã nunca estão) sentia-me mal. Paragem para tratar disto e daquilo, o trabalho vai ficando para trás. Nada bom. 
Por último, e tão importante, foi o não haver cortes e muitas vezes estar uma megera quando o resto da família chegava a casa. Não falava como ninguém, só trabalhava e arrumava, e fiquei uma chata do pior. 
Vir trabalhar para o Cowork Cascais (todas as infos que me pedem sempre aqui) foi a melhor decisão que tomei nos últimos tempos. Faço os cortes que devo fazer, saio de lá e não pego mais no computador se não for uma urgência, estou uma mãe e pessoa mais feliz, e com a vida mais definida. Foi isto que senti. Tudo misturado, sem uma tesourada de uma função para a outra não estavam a resultar para mim. E agora tenho o melhor dos dois mundos. Se me apetecer um dia posso ficar em casa, nos outros saio. Criar esta rotina foi mesmo bom para mim. 
Dicas para quem (ainda) trabalha em casa:

1. Arranjar parceiros. 
Quando estive em casa aconteceu-me a coisa mais maravilhosamente fútil que podia ter acontecido. Deixo-vos uma foto minha (divando ahahah) com o Roomba do IROBOT, (AKA Colega, já que não os deixei de ter ehehe ;)) que me salvou nessa altura, agora e sempre. Já tenho posto uns vídeos no instagram porque foi mesmo um sonho tornado realidade e não me vou cansar de lhe fazer publicidade. Melhor investimento de sempre. Tenho duas manhãs uma senhora que me vai ajudar com a casa e com a roupa (até ao teto). Nos dias em que ela não está nunca aspirei a casa. Foi ele. E tem uma app que podem programar para ele limpar quando não estão em casa. É incrível e aconselho todas as donas de casa a fazerem um pezinho de meia para o terem. Porque podem ganhar muito tempo enquanto ele se encarrega de aspirar todas as divisões. Até o Buddy o ama. 
2. Estabelecer horas e cumprir
Ter tudo muito bem dividido e não deixar as tarefas misturarem-se umas com as outras e, principalmente, não mistrurar a gaveta familiar com a profissional, ou a de lazer. 
3. Parar de vez em quando
E ir dar uma volta, respirar, ir ao ginásio. É importante fazer os nossos cortes
4. Deixar para depois
Cumprir os horários à risca e não ir arrumar a casa na hora de expediente. Agir como se estivéssemos mesmo a trabalhar num escritório fora de casa.
5. Ligar para pessoas e combinar coisas
Um café, um telefonema. A ideia é não se isolarem e tentarem falar com alguém que gostem e se inspirem todos os dias.
Espero que vos seja útil. Mil beijos Rita









Um chá com...

sábado, fevereiro 02, 2019
Xícara #1 - Mariana Sanches - Educa em positivo 
Espero que adorem e se sentem à mesa comigo nesta nova rúbrica.

Coisas que não gosto (mesmo nada) que fazemos aos nossos filhos.

quarta-feira, janeiro 30, 2019
Preferia muitoooo mais escrever um post sobre coisas que gosto mesmo muito. Tentei. Escrevi. Apaguei tudo e reescrevi.  
Com o positivo (que eu tanto gosto) juro que não estava a conseguir passar a mensagem que queria. 
Mas não julguem que estou simplesmente a acusar e que não ponho a mãozinha no coração... Neste post estou envolvida porque, obviamente, também eu já caí nisto. 
Mas por perceber que odeio, consegui modificar e evitar fazer. Muitas vezes me apetece dizer a mães (amigas, pessoas que sigo) para não o fazerem. Mas quem sou eu para me meter nisso, não é?! 
Também errei e fiz algumas destas coisas. E trabalho todos os dias para não as repetir. Não aprendi sozinha a ver que algumas destas coisas destroem o espírito e a essência dos nossos filhos. Li muita coisa, para agora como quando acontecem, todas as campainhas comecem a tocar. E tento emendar. 
Apesar deste ser um post carregado de coisas negativas, acredito que lhe consigam ver a intenção positiva. 
Então aqui vai o meu top de coisas que odeio nesta coisa exigente que é a educação:

1. Comparações  
A sério. Tiram-me do sério. Talvez porque tenha crescido e vivido muito perto disto, tenho alergia. Mães que comparam os filhos com os das outras, mães que comparam os seus próprios filhos entre eles. Este é mais responsável que o outro, este é mais querido que o outro... Comparar quebra a confiança que temos em nós. É como se tivéssemos de estar sempre a competir e nos reste tentar ser diferentes. Cada ser filho deve sentir que é um ser especial, deve amar ser como é. Deve sentir que não é pior que outro porque tem aquela característica. O que cria a comparação entre irmãos é que o que é dito como "pior" não se sinta bem, seja sempre uma sombra do outro. Depois podem acontecer duas coisas: ou tenta copiar (e nunca se vai sentir bem porque não é ele), ou insiste no seu traço negativo porque já que é pensado assim, então que tenha proveito. 
E já agora, quando uma mãe nos fala dos seus filhos, não temos de necessariamente responder com os nossos. Em vez de dizermos: "Ai o meu teve "Muito bom!" podemos ouvir as boas notas do filho de alguém e dizer simplesmente: Parabéns, estás a fazer um bom trabalho com o teu filho. ;)
2. O mundo é que está errado
Temos sempre de defender os nossos. Isto é um facto. Mas quando não estão certos, não estão certos. Muitas vezes vê-se isto nas escolas, com os professores. Alguns pais não põem os filhos a pensar nos seus atos, para imediatamente, atacarem os outros. Obviamente, há muita coisa errada nas escolas mas às vezes devemos pensar que com turmas de quase 30 alunos, o professor tem de pôr um ponto final. Ainda que às vezes não seja justo, temos de lhes passar empatia pelo outro, e pô-los nos seus sapatos. Quando lhes damos sempre razão, mesmo quando não a têm, eles não vão pensar em quem e o que sente quem está no outro lado. 
3. Uns coitadinhos, coitadinhos...
Viver as dificuldades, as injustiças, dar força às fraquezas, à incapacidade. Nãoooooo!!! Os nossos filhos vão mudar o mundo!!!
Vocês conhecem este rapaz? Uma vez ouvi-o dizer que os pais nunca deram força à sua deficiência. Então foi ator, nadou, jogou futebol, fez amigos, arranjou um trabalho, foi comentador desportiva, dá palestras...
Os nossos filhos são capazes de tudo. Não acentuar o que têm de mais fraco, os seus e nossos medos. Elevar o mais forte, sem nunca lhes fazer crer que não conseguem, que são fracos, que são coitadinhos. Aqui também pode haver a comparação quando um irmão é mais fraco em alguma coisa que o outro. Viver as fragilidades dos nossos filhos é empola-las. O que devemos fazer é descobrir o seu oposto e tentar sempre motivá-lo.
4. Etiquetas são nos frascos
Vem um bocadinho na onda da comparação, mas podem existir sem ela. Odeio! São as etiquetas que pomos aos nossos. Muitas vezes não são por mal, mas estamos a nós, segundo a nossa avaliação, a definir os nossos filhos e a sua personalidade.
E passa a vida a acontecer. Vejo tanto na internet. Esta é a peste, aquele é o tímido, o outro é inseguro.... Horrível!!!
Há muitas coisas que os meus pais acham que eu sou e eu não o era, pelo menos sempre. Por exemplo. Eu era a feliz, que não tinha problemas e que resolvia bem a vida. E quando isto não acontecia?! O meu rótulo neste caso era positivo mas, às vezes, se não estava feliz não era levada em conta.
As etiquetas não são boas porque nós não somos só uma coisa, ou sempre a mesma coisa, como os feijões lá de casa. Claro que isto não é só aplicado a crianças. Era bom que todos deixássemos de ter rótulos. Mas como não vai acontecer, pelo menos, que tentemos não o fazer na infância quando há uma personalidade (cheia de grão, feijão, arroz, massa) a formar-se. 
Espero que gostem da minha lista negativa e que não a levem a mal. 

Atenção (o melhor que podemos dar aos nossos)

quinta-feira, janeiro 24, 2019
Uma das coisas que mais me pedem é um conselho para se viver bem em família. Eu que odeio conselhos e que, às vezes, também ando em busca de orientar melhor a minha vida com os meus digo logo que não há conselhos (tirando não se levar o telemóvel no bolso de trás das calças quando vamos à casa de banho eheheh).
Mas na realidade eu sei o que devo trazer para os meus dias de forma a vivermos em maior harmonia. E não há nada como a atenção. Com os filhos, com a pessoa que está ali ao nosso lado, que muitas vezes são quem tem de aturar o pior de nós.
Nesta correria de dias sinto muito isso. Que os fogos da rotina podem apagar a chama do casal, e a nossa relação com os filhos. Ouvirmos com atenção, darmos espaço para nos mostrarem como estão, termos pequenos gestos para mostrar que estamos ali.
Quando o meu filho fez 8 anos, agora em dezembro, escrevi-lhe uma carta. Lá contava como tinha sido quando ele nasceu, e depois como foi em bebé. Depois de ler ele disse-me que tinha sido o presente melhor que recebeu. Fiquei comovida e prometi passar a escrever sempre. Deixar bilhetes de amor pelos nossos espalhados pela casa, ter um tempinho só para cada um individualmente, oferecer flores*, dar apenas o nosso tempo e atenção pode ser o grande sucesso de uma família mais coesa, mais atentos e com mais empatia uns pelos outros.
Acredito que tudo o que der agora aos meus filhos, posso vir a colher na relação com eles no futuro. E com o meu marido o mesmo, quando tivermos o ninho vazio, teremos sempre ali aquele espaço especial que é só nosso.

Dicas para pequenos nadas cheios de tudo:
  1. Espalhar bilhetinhos pela casa personalizados para cada membro
  2. Contar muitas histórias boas da infância, do nascimento, etc...
  3. Ter um programa individual
  4. Fazer quiz para ver se todos se conhecem bem
  5. Uma lista de todas as coisas boas (inspirada na peça linda do Ivo Canelas)
  6. Largar telemóveis e tecnologias
  7. Jogar jogos de tabuleiro
  8. Fazer peças de teatro com texto próprio/ ou jogo de imitar cada membro da família
  9. Fazer uma discoteca em casa/piqueniques/Jantar no chão
  10. Ir acampar
  11. Ir ver estrelas no céu ou uma exploração à floresta


*Se quiserem passem o meu código ao vosso marido da Colvin Co. Para bom entendedor, meia palavra (ou código) basta. Vem aí o Dia dos namorados. Eheheh Nada melhor que tocarem à nossa porta e ser um ramo de flores lindas. 

Eu é que descobri

quarta-feira, janeiro 23, 2019

Como muitos sabem a minha primeira formação não foi em jornalismo, foi em publicidade. Comecei por estagiar numa grande agência com os melhores profissionais da altura.
Uma dupla criativa (para quem não está familiarizado) faz-se com um copy, que é quem escreve, e o designer. Eu obviamente queria a primeira opção.
Era uma vida divertida onde éramos obrigados a ter várias ideias por dia e onde a sede pela criatividade pairava sempre no ar. Talvez venha daí esta minha vontade de estar sempre a criar coisas. Fiquei com uma das duplas melhores de Portugal e aprendi imenso.
Depois também percebi que ser copy não era para mim e acabei no jornalismo.
Quando comecei a ver os anúncios mais recentes do Lidl, depois de uns anos que eu considerei que a publicidade andava um bocado adormecida em comparação com aqueles anos áureos, achei que atrás dos anúncios devia estar alguém brilhante.
Tudo começou na alface do LIDL, e agora, superando essa campanha, chega-me a “fui eu que descobri”, que mostra como os clientes  podem, todas as semanas, encontrar produtos surpreendentes.
Serei a única que ama encontrar produtos novos e achar que fui a primeira? Acho que não, porque no instagram desafiei as pessoas a mostrarem o que descobriram no LIDL e tem sido uma risota. Vão lá espreitar! E é mesmo verdade, sempre que vou lá encontro alguma novidade boa lá para casa.
O que eu descobri (porque eu também descubro coisas ;)) foi que quem estava atrás dessa campanha tinha sido o copy com quem estagiei. É das campanhas mais giras de últimos anos e a mim diz-me tanto porque estou sempre a reparar que as pessoas descobriram sempre primeiro que as outras alguma coisa. Achei incrível estão todos de parabéns por voltar em apostar na publicidade criativa inteligente e que toca sempre em alguém.
Nota (e ai de vocês que desmintam): eu é que descobri o blusão de ganga que tenho vestido na foto em cima, o óleo de Argão, massajador de pernas, os organizadores de frigorífico, etc, etc, etc.... ;)