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Uma história da minha barriga pós parto

quinta-feira, fevereiro 23, 2017
Bem, há milhares eu sei. Esta foi a vergonhaça total.
E pode ser que as pessoas que estavam da fila leiam este post e me perdoem. ;)
Duas pessoas à minha frente para pagar numa loja de brinquedos. Eu na minha vidinha, a pensar nas mil coisas que tinha para fazer, quando oiço o senhor, com a voz em projeção para alcançar a distância a que eu estava, aos altos berros (lol):
- A senhora!!! Pode passar à frente!!!
Ainda olhei para trás. Mas não. Era mesmo comigo [caraças!!!] Comigo e com a minha barriga que nesse dia não estava a correr nada bem em termos estéticos. E a roupa não ajudava. [Um vestido comprido com um mega laço a envolver uma gravidez que nem sequer psicológica.]
Perante a minha hesitação [ainda a pensar como ia gerir isto] ele continuava em tom estridente: - Tem prioridade senhora!!!
Eu sei. Eu podia ter dito que não estava grávida, mas só quis sair daquela situação rapidamente.
E dizer que não estava (de todo!!!!) grávida ia deixar o senhor a morrer e eu um tomate. Mas podia ter dito. Ou podia ter despachado a (falsa) prioridade.
Só que não!!!!! Só queria resolver a coisa rapidamente. Fui em frente, cabisbaixa, pagar a conta. Entretanto não encontrava o cartão com os nervos e tal...
Claro(!!!) que umas das duas senhoras da fila a quem abusivamente passei à frente [claramente muito mais peritas nestas coisas de distensões abdominais] pergunta:
- Já agora a prioridade é do quê? Eu calada... O senhor insistia que eu estava grávida e que tinha direito a passar à frente. Nunca duvidou por um segundo que tudo aquilo era só ar, muita falta de ginásio e restos de 3 cesarianas...
Foi lá paguei e fugi o mais rapidamente possível.
PS. Há muitos alimentos que não ajudam. Não sabia que alface era uma delas. Tinha-me fartado de comer nos ultimos dois dias. Fica a dica. ;)


E as vencedoras Passatempo Mamã Cartoon são...

quarta-feira, fevereiro 22, 2017
Margarida Auto-mãe-bilista
Vera demeledesa

Já foram contactadas por email.


Aqui vão os textinhos giros e vencedores.

Vera7 de fevereiro de 2017 às 16:11

Sou a Vera, tenho 30 anos, um marido giro (coff coff), 2 gatas malucas e... não me lembro da última vez em que participei no que quer que seja de um blogue. No entanto... esta tua pergunta sobre as mães e os cartoons deixou-me a pensar.
Nops... A minha vida não dava um livro diferente e original mas, penso eu, daria uma bela série de pequenos cartoons com que muitas nos identificaríamos já que...a minha vida é igual a muitas outras! Boa aluna, curso escolhido e acabado em 5 anos (ok, ser rapariga em Engenharia Informática também dá direito a cartoons!!), emprego numa cidade gira, mudança para a minha cidade preferida, compra de casa no sitio onde crescemos, uma gata, o casamento com o namorado de sempre, um filho. Muitas certezas, muitas tabelas de Excel, muito método. Isto escrito parece tão aborrecido que me faz lembrar um daqueles organigramas em que tudo está definido e é expectável!
"Mas esta rapariga não tem nunca que lidar com o imprevisto?"
Hum... Já disse ali pelo meio que tive um filho? E que o meu marido, depois do casamento, se lembrou de mudar o rumo à vida profissional dele e começar uma Licenciatura? E que achamos que a nossa gata estava muito tempo sozinha então... arranjamos-lhe uma companhia? E que eu gosto de acumular part-times e tenho sempre mais ideias que tempo livre? E que a maternidade arruinou 99% das certezas que eu tinha quanto a educação, amamentação, alimentação, estadias de bebés dos quartos dos pais, objectivos de vida e sei lá o que mais?
A pessoa que dizia "bebé meu vai dormir para o quarto dele no máximo aos 6meses" tem agora um quarto de bebé lindo e vazio e uma cama extra junto à cama de casal.
A pessoa que dizia "amamentar um bebé grande? que impressão!!", amamenta orgulhosamente há quase 16 meses e quer um desmame natural.
A pessoa que dizia querer um parto o mais medicado possível e num hospital privado "para poder ter sempre muita gente à minha volta", teve um parto natural num hospital público, adiou a epidural e partilhou a enfermaria com mais 2 mães.
A pessoa que comprou um cama, um berço, uma alcofa e um carrinho todo catita para o bebé é que agora adora andar com ele coladinho no Manduca.
A pessoa que dizia que só queria um filho, no máximo 2, tem agora a certeza absoluta que gostava de ter 3 (porque parece ser o limite que a logistica permite!) e tenta imaginar ideias para perceber como se vão equilibrar, um dia, 5 pessoas e 2 gatos em 130m2.
A pessoa que adora o que faz e é ambiciosa pensa, em simultâneo, como um dia seria bom trabalhar apenas em part-time para dar mais apoio à prole! :)
A pessoa que achava que a maternidade era muito complicada, continua a achar que a maternidade é complicada mas sente-se muito confiante nos seus instintos!
Não acho que seja uma mãe diferente de todas as outras, com toda aquela magia que a maternidade nos dá. Se a minha vida desse um cartoon, só se fosse um que ilustrasse todas estas antíteses!
Já mal sei porque comecei a escrever este comentário e qual o objectivo. Sou uma chata faladora, e esta pequena "carta" cheia de introspeção foi uma óptima pausa no trabalho. Aproveito para deixar os parabéns pelo blogue, identifico-me muito com muito do que escreves. Continuarei por aqui!
Um beijinho
Vera
Será que a vida de mãe dará um bom livro de cartoon? Deixem-me lá pensar em situações com potencial.
- Aquele episódio que ocorreu quando estávamos na maternidade em que disse e repeti várias vezes, milésimos de segundo antes de pegar no meu filho ao colo, com a voz mais tranquila e doce do mundo, "anda à tia", em vez de dizer "anda à mãe". O hábito é uma coisa tramada, a miúda (minha sobrinha) já levava 3 anos de avanço.
- Quando meteram o miúdo em cima de mim, horas depois da cesariana, e desapareceram. Os primeiros minutos foram de puro amor e adoração, mas quando tentei sentar-me/mexer-me foi caricato: se deixasse o miúdo deslizar para o lado direito acabava no chão, uma vez que não tinha protetor; se optasse pelo lado esquerdo, ainda batia com a cabeça no protetor e ficava com um galo na testa; quando tentei esticar os braços para o colocar no berço pequenino que estava ali mesmo ao lado, constatei que não chegava lá. Bem, tive de esperar. Será que se o atirar ele fica no berço aconchegado sem nenhuma mazela!? - pensei... Estou a brincar.
- E quando desaprendemos a conduzir? Não sei se vos aconteceu, mas se até ao nascimento do miúdo acelerava, travava com a agressividade de um taxista, passava por cima de passeios nas curvas (mais apertadas, vá), depois de o miúdo nascer passar dos 30 km/hora era um desafio. Ai Meus Deus, não me abanem o carro que a criança se parte.
- Agora um cartoon relacionado com pontapés: o Antes e o Depois. Quando estão na nossa barriga, é aquele movimento que parece uma duna num dia de sol e de ventania, um alto de um lado, logo depois passa para o outro, um pôr do sol no horizonte... Coisa mais linda! Quando estão cá fora e bem mais crescidos, resolvem assaltar a nossa cama, e aí é que aprendemos a levar pontapés, mas no sentido inverso... não só na barriga. Uma pessoa ficar com um olho negro como resultado de um pontapé nocturno não é nada de anormal.
- Ir à farmácia com o miúdo, tirar uma senha prioritária, passar à frente das pessoas que, por isso, olham para mim de lado. O miúdo a apontar para umas embalagens tipo roll on que estão num expositor e a gritar PAI. Eu a ignorar a situação. O empregado a atender-me com bastante simpatia, excessiva até. Ao pagar finto o raio do expositor com mais atenção... As embalagens são da marca D-u-r-e-x. Sair da farmácia com pouca vontade de lá voltar. Ainda pensei em perguntar ao miúdo "onde estão os teus pais, bebé?", mas tinha uma senha prioritária...Em minha defesa, juro que não temos nenhuma destas embalagens lá em casa.
- Quando colocas a criança no carro (de empurrar), quando colocas nesse carro 550 Kg a mais do que deves (sacos, brinquedos do parque, etc), quando olhas para o lado 2 segundos para fechar o (outro) carro e o miúdo abana os pés... e o carro (de empurrar) desce o passeio e dá um salto mortal. E a ginástica necessária para o levantar? É que tem quase o peso de um elefante.
- Outro relato interessante é o de chegar a um blogue que acompanho com a periodicidade que me é possível a tempo de participar num concurso (como hoje). Geralmente, quando vejo algum passatempo/concurso/publicidade a algum espectáculo interessante já passou o prazo. O que é que acontece com os nossos relógios/calendários depois de sermos mães?
...
Sim, confirma-se que isto da maternidade dá um bom livro de cartoon. Quero-o.
Margarida
Querida Rita,


Tempo para mim.

terça-feira, fevereiro 21, 2017
5 minutos para nós. Ou 30. [Vá, assim na estica.]
Há quem pense que este nosso pedido é um capricho, uma veleidade. Mas trata-se de sanidade mental. A intensidade dos nossos dias, dá-nos imenso, mas retira-nos algumas coisas. Silêncio, serenidade, reflexão.
Parar a cabeça, ouvir as nossas necessidades, alinharmos as nossas vontades. Retira-nos força que precisamos exatamente para poder retribuir. A atenção que queremos dar aos nossos filhos, só chega se nos dermos atenção a nós.
Tenho andado tão a mil que ontem ter-me sentado 5 minutos a folhear um livro que amo foi um momento. Precioso.
Estava sol, não havia um som. Soube-me a férias. 5 minutos.
O tempo não estica, infelizmente. E até me irrita quando dizem que, quando queremos, há tempo para tudo. Quem inventou isto ou não tem filhos ou tem ajudas.
Estou sem tempo para o ginásio, para passeios e para coisas só para mim. Estou sem tempo para respirar. Como é possível? Não me lembro de dedicar tempo a respirar. E é tão importante respirarmos (fundo).
São opções, bem sei. Mas a minha opção agora são eles e com uma bebé voltei a perder alguma independência. [Mas ganhei o euromilhões.]
Querem falar disto de dizerem que a Baby Madalena é igual ao Ed Sheran????? Ahahaha





Ler um livro até ao fim

terça-feira, fevereiro 21, 2017
«Cada criança é um universo. Todas as crianças são extraordinárias e únicas e não basta encher-lhes a cabeça com dados, temos de lhes fornecer ferramentas e conhecimentos, facilitar-lhes a tarefa com empatia, sensibilidade e resistência, para que elas possam sair fortalecidas de situações adversas. As crianças devem saber que, se se propõem a algo e lutarem por isso, podem consegui-lo e que depende deles tornar o mundo um lugar melhor.» César Bona, um dos cinquenta melhores professores do mundo, de acordo com o Global Teacher Prize, considerado o Prémio Nobel dos professores, deixa claro neste livro que ser professor não é acomodar os alunos ao currículo: todo o educador deve adaptar-se ao motor imparável e entusiasmado de uma criança. Há que motivar, estimular a criatividade e incitar a curiosidade, porque as crianças não são apenas os adultos de amanhã: são os habitantes do presente.

Ninho (semi) vazio.

sábado, fevereiro 18, 2017
Eu tento parar o tempo. Mas ele não me obedece. Os dias voam, animados pelo alvoroço dos tempos.
Filtro tudo o que posso. As coisas chatas, os eventos sem sumo, momentos que não me trazem nada. Fretes. Sempre ouvi as pessoas mais velhas dizeram que já não tinha idade para fazer fretes. Cheguei lá. O meu tempo está distribuído entre obrigações e amor. E é ao segundo que me agarro cada vez mais.
 A bebé cresce e os manos estão cada vez mais autónomos. São festas de anos, programas aqui e ali, os dois sempre no verbo ir. Fiquei só com a bebé a pensar quando chegar o tempo de ela também querer ir.
- Mas não queres ficar com a mãe? -Não, prefiro ir se a mãe não se importar. 
Sei que vou sofrer com o ninho vazio e digo-lhes que podem viver comigo. Eternamente.
Ter filhos é realmente a maior benção. E estes tempos são mesmo valiosos.
{Mas podia passar devagar, não!?}