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Nem o céu nos separa!

quinta-feira, janeiro 05, 2012
Quero muito contar-vos esta história!
A Ana é minha colega... amiga... confidente.
Já rimos, já chorámos, já chorámos a rir.
Já falámos muito, já estivemos em silêncio.

No final do ano passado,
 a vida da Ana mudou.
Aliás, a vida da Ana foi diferente nos últimos dois anos.
Dos 20 e tal anos
que conhecia o Rafael,
7 de namoro,
os últimos 2
foram irreais.

Não porque se dessem mal,
tivessem crises de ciúmes,
birras,
ou outras infantilidades
comuns nas relações
em idades
tenras...
(Devia ter sido assim!!!)

Mas porque 
entrou um terceiro elemento
nas suas vidas:
Cancro!

 Os sonhos,
os planos,
as memórias,
as forças...
TUDO
ameaçado por uma doença
que tentou separar
um amor jovem e puro
que merecia
(merecia mesmo!!!)
um hipótese
 de construir um futuro.

(A morte tenta coisas ridículas
e só pode ter muitos remorsos
quando faz destas)!

E não foi só na morte
que ela foi
a melhor das companheiras.
Acompanhar uma doença assim
num rapaz novo
e que amamos
é uma prova dura,
provavelmente a mais difícil
da vida de uma pessoa.

E a Ana,
pequena e com ar de miúda,
foi uma força da natureza.
 Uma inspiração!
No lançamento do meu livro,
só tinha passado um mês,
e ela lá estava!
(Aliás foi um plano definido
dias depois de, não perder,
mas emprestar por um bocadinho o Rafael).
- Quero muito estar contigo nesse dia, Rita!

E esteve!
(Ana à esquerda)
E está todos os dias no meu coração!
Foi-me pondo a par
de como lidou
com esta injustiça
e como catalisou a sua mágoa
e impotência.
(Vale a pena lerem o texto do Rodrigo Guedes de Carvalho)
ParaTi, Campeão!

Passámos a ser membros de uma troca
 diária
de experiências literárias
e não só...
E eu que, ridícula,
chegava ao trabalho e me queixava
do trânsito, do sono e de tantas outras insignificâncias,
deixei de o fazer.

Parava,
olhava para a Ana e pensava:
Para ti, campeã!


(Em homenagem ao Rafael e a esta dança interrompida...)


4 comentários:

  1. ola rita..
    nao que seja dificil, mas conseguiu por-me a chorar..
    (enquanto a matilde insistentemente esperneia no meu colo, com uma birra de sono)..
    nao tenho palavras,
    alias, sentir sinto muita coisa, um turbilhao de emocoes navegam no meu coracao, mas verbaliza-las torna se muito mais complicado..
    que dor..
    ler isto fez-me pensar..
    esta doenca, que parece que veio para ficar, tambem ja quis levar-me a mae, alguem tao precioso..
    felizmente ela venceu, nao posso abraca-la todos os dias pela distancia fisica que nos separa, mas posso dizer-lhe todos os dias que a amo, pelo telefone..
    um abraco forte, rico em carinho..
    para si, rita..
    para si, ana..

    monica albuquerque
    (maria e matilde luxfamily)

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  2. Rita,
    São estes testemunhos de fé, qualquer que ela seja, e de amor incondicional que devem ser diariamente transportados para a nossa "vida real"... porque a nossa "vida real" é tão cheia de pequenos assaltos que nos transtornam, que maçam, que nos tornam por vezes infelizes... e por tão pouco.
    Vivi bem de perto a doença da minha mãe e perto demais a sua degradação física e a sua luta interior.
    O cancro venceu.
    Mas o tempo não.
    E nunca vai vencer! Continua tão presente, uns dias mais que outros, em espírito e em amor; e ainda hoje, exactamente 7 anos e meio volvidos, a dor da perda é tão grande que nos parece consumir as entranhas. O que atenua são as lembranças más... e perpetuam-se as boas. E talvez por isso doa tanto.
    Quem vence o cancro é abençoado. Quem apoia e conforta na sua luta, um campeão. Parabéns Ana!
    E não há lembrança melhor de que fizemos o humanamente possível e impossível, que demos amor, que fomos ombro, que fomos voz, que fomos conforto,e... que apenas não estava nas nossas mãos...
    beijinhos e obrigada por partilhares.
    Rita MP

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  3. Há quem pense que os jovens de hoje em dia são uma geração "rasca". Eu não acredito nisso. E são pessoas como a Aninha que nos fazem ver que temos jovens com valor, capazes de enfrentar (se é que é possível) as maiores atrocidades da vida. Quando tudo devia ter sido..."normal". É mesmo como dizes: deviam ter a oportunidade de brigar, fazer birras parvas e tudo o que é suposto fazermos quando somos jovens, namoramos e temos toda uma vida pela frente.
    Foi com esta consciência que todas estivemos lá. Chorámos, seguramos-lhe a mão, demos-lhe mil abraços... sem hesitarmos. E é por isso, também, que hoje estaremos lá. :)
    Um grande beijinho Rita e obrigada por esta partilha e pelas coisas que escreves :)
    Beijinhos,
    CR

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  4. Muito interresante essa historia . Nos faz pensar melhor na vida q as vezes nao damos valor! Valeu!!

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