menu-topo

O futuro...

sexta-feira, julho 06, 2012

fotografia.JPG
O futuro está tão turvo... Olho para os meus filhos e tento imaginar como vai estar o nosso país quando chegar a altura de irem trabalhar. Enquanto a girl se baloiça, tão livre, não imagina que não vai ter reforma, que vai ter de trabalhar o triplo para pagar uma dívida que outros fizeram, durante mais horas, com muita competição, poucas condições e que tudo vai estar diferente... 


E o Estado, e as empresas e todos aqueles que se nessa altura tiverem reforma será à conta deles - que não fizeram nada de mal - a maltratá-los. Afinal a maior certeza que agora eles agora têm à nascença é o número de contribuinte. 


Por enquanto, baloiçam assim, inocentes, sem saberem que estão mais presos do que qualquer geração alguma vez esteve...


Tento educar os meus filhos com pouco. Não vivemos em exageros. 1 presente nos anos, no Natal, sumos de vez em quando, bolos quando há festa. Reciclamos, passamos e recebemos roupa... Não precisamos de muito, tirando um chupa ou outro e uns outfits daqueles que são mesmo de perder a cabeça. Não lhes falta nada... Têm mais do que um par de sapatos, mochilas novas quando começa a escola e casacos quentinhos no Inverno. Têm tudo sem ser demais...


Se um dia acontecer ficarem piores vão saber viver... Ou pelo menos tenciono que aprendam esta lição. Frugalidade. Saber que um dia podem ter na terra uma subsistência, na comunidade e na família um apoio e na alma muita esperança e força.


Esta história dos subsídios, acho justa, sinceramente... Não o facto de tirarem, mas de tirarem a todos...


- Todos CULPADOS menos os nossos filhos! - Afinal tanto, públicos como privados, andaram a viver à grande e a gozar de uma factura que agora vem com juros de mora altos e muitos impostos. Tachos, jobs for the boys, falcatruas, excessos, corrupção... 2013 assusta-me. Não estou preocupada com os que vivem bem, muito bem, e terão de baixar o nível de vida para o menos bem...( Se bem que tudo o que seja baixar é uma grande m...). Mas com quem usava os subsídios para pagar rendas, fazer inscrições nas creches, pensava em ter filho... ou mais filhos. Penso em quem procura emprego que não chega. Penso nos abusos que esta crise cria e que é desculpa para as maiores injustiças. Penso nas famílias... Nos casais jovens... Nas famílias que se acabaram de criar ou que se querem criar. E no pouco respeito que se tem à maternidade, paternidade e crianças. Penso que não é altura de política, mas tempo de verdade. Tempo de dizer: «Meus amigos, é isto que se vai passar. Podem fazer as malas...» E é isto que me vem à cabeça enquanto ela, ingénua, se baloiça neste céu que ameaça cair-lhe todinho em cima.


 


P.S. Não fossem os problemas GRAVÍSSIMOS que se vivem,


acho que esta crise, em algumas situações, trouxe coisas muitos boas.


Trouxe mais verdade, mais contenção e mais marmitas!


Nem tudo é mau...

22 comentários:

  1. Gostei muito Rita.... obrigada por partilhares.

    ResponderEliminar
  2. Rita, eu infelizmente sou ainda mais pessimista. Eu penso é na reforma que eu não vou ter, no emprego que não vou ter, no dinheiro que não vou ter ao fim do mês para pagar as minhas contas. Eu vejo o amanhã muito negro já para mim, quanto mais para a minha filha...
    Há uns tempos era só quem não tinha trabalho que estava mais aflito, quem tinha sempre ia dando para os gastos. O problema é que hoje mesmo tendo trabalho não é suficiente para os gastos de uma família. É isso que me assusta! O salário é o mesmo ou menor e as despesas sempre a aumentar!! Nunca vivi acima das minhas possibilidades, sempre cumpri com as minhas obrigações fiscais e não consigo aceitar ter de pagar uma factura que não é minha!
    Começo a chegar à conclusão que ser honesta é uma estupidez...

    ResponderEliminar
  3. Eu tenho dias em que tenho um aperto no coração, fico paralizada com o medo. E com um valente esforço procuro sair desse estado. Tal e qual como tu, procuro viver de forma frugal, cada vez mais. Viver o dia a dia, saving for a rainy day e esperando sempre o melhor, de forma consciente e lúcida. São palavras e é também uma atitude.
    É verdade que a crise criou um desrespeito vergonhoso em imensas situações e só podemos aprender com isso: sermos mais afirmativos e intolerantes naquilo que devemos.
    E depois, no limite, podemos sempre ir embora daqui para sermos mais felizes noutro lado. Porque viver miseráveis só porque acreditamos que temos de permanecer tipo árvore não nos leva a lado nenhum. Sim, há a família e tudo o mais. E também há sonhos e o facto de nós sermos os maestros das nossas (e só das nossas) vidas (pese embora a m!!! da crise que eu não a mandei vir!).
    Beijinho e deixa-te hipnotizar pelo vai-vem do balancé :)

    ResponderEliminar
  4. Obrigado Rita pelo post. De facto assusta pensar que todas as crianças deste país um dia podem deixar de sonhar como crianças e de se baloiçar.
    Tenho uma empresa e também eu faço muitos sacrifícios para poder ter tudo em dia, para dar para pagar ás famílias que dependem de mim e ter forma de sobreviver neste sufoco.
    Crises sempre as houve em várias alturas da vida (não só da nossa) e temos de pensar que são ciclos, que vamos recuperar e vamos sair desta. Muitas das vezes acho que as pessoas acham que devem viver no luxo e não com o essencial e básico. Que todos temos de ter um bom carro e uma boa casa, boas roupas, consolas wii, PSP, portatil, IPOD, IPAD, TVCABO com 500canais, tudo do bom e do melhor e....o credito ao consumo não pára. Jovens a queixarem-se da crise e da falta de apoios, que não podem sair de casa dos pais...mas podem ir ao ROCK IN RIO, ao Superbock, ao Sudoeste a todo e mais algum concerto de verão onde cada dia custa apenas 50€ de mínimo mais o consumo interno....estão assim tão mal estes jovens? Apesar da crise continuamos a ver gente empreendedora com vontade trabalhar de se lançar mesmo que todos digam está mau. Um dia li um comentário interessante e que apesar de ser eu uma pessoa pessimista por natureza acho que faz todo o sentido....em tempo de crise uns choram e outros vendem lenços!!!

    ResponderEliminar
  5. Nada a acrescentar... acho que são esses os pensamentos que estão baloiçar à frente de cada um de nós! Mas temos de acreditar sempre que, um dia, o dia vai ser melhor, não é? :)

    ResponderEliminar
  6. É um pavor constante...
    Mas tal como a Inês, eu tenho medo já! Por nós adultos! Tenho muita esperança que, no tempo dos nossos filhos as coisas estejam resolvidas. Ou estruturadas pelo menos. Porque isto agora está uma balda. Um dia fazem uma coisa, no outro fazem outra e andam ao sabor da maré a fazer de nós cobaias. E isso é que arrepia.
    Tanto o meu marido como eu estamos a ganhar muito menos do que há três anos atrás. E além das despesas não pararem se aumentar, temos agora dois filhos. Todos os meses custam a passar. E se acho que a crise nos fez tão bem para aprendermos a racionar e a dar valor ao que realmente interessa, enerva-me tanto andar no supermercado a fazer contas de cabeça ou ginasticar prioridades para saber quando é que vou comprar isto ou aquilo, só por causa de um bando de incompetentes que fizeram asneira e saíram impunes!
    As viagens que fazíamos e deixámos de fazer, paciência! As roupas que comprava e deixei de comprar, há coisas bem piores... Mas é mesmo revoltante! Os miúdos são pequeninos e não fazem ideia do esforço que fazemos. Como crianças que são também contentam-se com pouco e ainda bem que é assim.

    Maravilhoso o post! :)

    Beijinho

    ResponderEliminar
  7. Olá Rita!

    Este ano já não recebi o meu subsídio (merecido por direito), para mim foi uma das medidas mais desiguais e injustas decretadas pelo presente governo. Também tenho filhos e contas para pagar .Penso que desta forma foi reposta algum justiça.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. Olá Rita!

    Adorei o post traduz exatamente aquilo que penso e sinto.
    Graças a deus eu e o meu marido temos trabalho, mas a verdade é que o ordenado não aumenta e as despesas aumentam sempre, ou é a luz mais cara, ou o gaz. Temos dois carros e temos feito um esforço enorme para andar só num e a verdade é que só em gasolina conseguimos poupar mais de 100 €. Mas também é verdade que gostava imenso de ter mais um filho, o meu tem quase 18 meses, e a verdade é que eu tenho muito medo do amanhã. Não sou de comprar nada de exageros para o meu Santiago sou mais ou menos como a Rita, no natal e nos anos um brinquedo, gosto de o vestir bem, mas não compro nada caro aliás aproveito sempre as promoções. Ás vezes ponho-me a olhar para ele tão inocente e no que ele vai ter de passar na vida com todas erstas dificuldades que já cá estão e que só vão piorar. A verdade é que me revolta muito tanta asneira que foi feita e nós agora é que estamos a pagar com os erros dos outros, não é justo.

    ResponderEliminar
  9. Justo seria todos teres subsidios. Ou todos terem adse. Os subsidios dos funcionarios publicos sao custos para o estado mas os do publico sao custos para as empresas privadas. Nao percebo porque é justo tirar a todos porque sse tirou a alguns. Há 2 anos que nao secebo subsidios mas o meu patrao tem d fazers os descontos ao estado como s eu os recebesse. Seria menos um custo para ele. Será o unico a ficar contente.

    ResponderEliminar
  10. A viver há grande? ! Eu diria, a viver. Porque não comprar uma casa se o crédito é mais barato que o arrendamento? Ter casa é mania das grandezas? Ir d ferias a cuba é viver a grande? Ter carro? Ja me passaram muitas vidas financeiras pelas mãos e vi vencimentos pequenos e pessoas a viverem com algum conforto. E a trabalharem muito.

    ResponderEliminar
  11. Sim, neste momento ir de férias a Cuba já considero viver à grande! Até ali só ao Algarve já é um luxo... ;)

    ResponderEliminar
  12. Concordo Ana!
    Mas estamos carecas de saber que alguém ía pagar... assim pagam todos, porque em todo o lado há culpados e inocentes!
    Ou seja, paga o justo pelo pecador... mas pagam todos!

    ResponderEliminar
  13. Um grande beijinho.
    espero que essa contabilidade dê para mais um.
    Mas vou-lhe dizer esta que me disseram e que (nem sempre) mas às vezes é mesmo certa: um filho nasce com um pão debaixo do braço...;)
    <3

    ResponderEliminar
  14. Eu não sou funcionária pública, mas acho mais justo mesmo!
    Um beijinho

    ResponderEliminar
  15. Até acrescentei no texto as marmitas.
    É mesmo!
    Também não sei como há dinheiro para tudo isso...
    e tanta oferta!
    Mts beijinhos

    ResponderEliminar
  16. Claro que sim!
    Isto é cíclico... se bem que acho que nunca mais se vai voltar a viver como se viveu na ultima década...
    beijinho e obrigada

    ResponderEliminar
  17. Verdade, verdadinha, verdadeira...assim até à última gota.Esta merda da crise que me faz ansiar pelo que posso não ter se a minha filha um dia vier a precisar, que me dá um nó no estômago quando naquela segunda do mês me sento a pagar contas e vejo os míseros dígitos que sobram....a 23 dias do final do mês. E permito-me bloquer, stressar, desanimar....fazer o luto pela vida que já tive ou mais ainda por aquela que me foi doutrinada, que no fim do canudo e dos méritos de trabalho seria concerteza a minha. Mas não é...o paradigma mudou! E todo o luto tem que ter fim...para a frente que atrás vem gente. Eu não passo fome, tenho carro ( bónuuuusss) e casa por cima da cabeça ( e nem a partilho com outra família...bónuuuussss). Aprendi que um picnic a 3 me faz tão ou mais feliz que um jantar no restaurante da moda. Ter menos roupa e sapatos na realidade não me faz comichão e a escola da miúda, essa para já vai-se pagando. Ganhei uma horta, onde plantei curgetes, tomates,cebolas e pimentos e só colhi músculos e um bronzeado à trolha ( Note o self: trabalhar de bikini) . Se quero mais.......Oram ponham mais nisso. Muito mais. Quero não ter que me preocupar com a m! do euro. Se sei como fazer isso??? Nop...nem por isso. O que eu sei é de histórias de antepassados nossos que passaram mais e pior e sobreviveram...e sei...que o estado do mundo vira a qualquer momento, que tenho em mim a força para continuar a tentar melhorar...e acima de tudo ...acredito que isso por si só vai levar esta família a um lugar melhor. Claramente....hoje não é dia de pagar contas cá em casa. Beijos e muitos parabéns pelo blogue, gosto cada vez mais.

    ResponderEliminar
  18. Sim , rita. Neste contexto sair d casa é um luxo. Mas nao deveria ser! E a rita terá um contexto familiar completamente diferente do meu, dum meio rural. Por isso frugalidade é o meu nome do meio. Mas neste momento quase que se cultiva a avareza. E isso na minha religião é pecado ;) detesto ter d contar tostoes. A marmita é pessima p a economia. Eu odeio cozinhar. Que se leve marmita não por necessidade mas por convicção! Antes a maioria nao vivia acima das possibilidades. Agora sim! Com o aumento d impostos e ao retirarem direitos.

    ResponderEliminar
  19. A antecipar todas estas dificuldades, saímos do país há mais de 1 ano! Não digo isto com alívio, mas com tristeza e angústia! Foi a decisão mais difícil da nossa vida, mas fizemo-lo pelo nosso filho! Assustava-nos o futuro dele e como seríamos capazes de sobreviver comigo num trabalho a part-time (apesar de ser na minha área, o que era um luxo!!!!) e o meu marido com uma profissão completamente instável!
    Talvez se ainda não tivessemos um filho, teriamos arriscado ficar, mas instabilidade não combina com as necessidades de uma criança.
    Apesar de tudo, só há poucos meses consegui aceitar que esta mudança de vida era a nossa única hipótese!!!
    Todas as notícias que chegam de Portugal não me fazem sentir aliviada por ter partido, mas sim muita angústia por não saber quando poderei regressar!!!

    ResponderEliminar
  20. Adorei este post e tenho-me debatido com a mesma revolta, as mesmas dúvidas, contenções. Tenho escrito imenso sobre isso. Há quem ainda não tenha sentido de perto os efeitos da crise. Infelizmente, já senti e pondero não ter outro filho, por muito que queira. Mas também concordo quando dizes que aprendemos todos. Mas será que sim? Infelizmente, quem tem de tirar mais proveito da lição, não aprende e continua a fazer o mesmo.
    Vou partilhar o post.
    beijinhos

    ResponderEliminar
  21. Rita, tem toda a razão. Permito-me apenas acrescentar - tambem há que educar os nossos filhos a terem respeito pelos mais velhos. Respeito esse que hoje não existe. Cortar as pensões aos reformados, sejam elas pequenas ou grandes, é uma verdadeira injustiça! Estamos a falar dos pais e avós da geração actual que trabalharam e se esforçaram por nos dar um mundo melhor (tal como nós tentamos fazer para os nossos filhos). Assim sendo, porque não cortar um subsidio a todos os que trabalham e entregar aos idosos o total das suas pensões, que afinal não são mais do que o dinheiro que eles foram obrigados a entregar à segurança social durante toda uma vida??!! A sociedade será muito melhor quando as pessoas aprenderem a respeitar e dar valor aos mais velhos! Afinal foram eles que nos ensinaram tudo o que sabemos ....

    ResponderEliminar