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Quando eu escrevia...

terça-feira, março 05, 2013
crónicas aqui e gostava tanto!!
Porque perdi o rumo aos textos
 - ainda ando em busca nas pastas do computador -
vou recordá-los aqui de tempos a tempos.
Esta foi a primeira.
MISS MY BELLY
"Nunca pensei já estar a dizer isto, mas a verdade é que tenho.
Mesmo. Muitas saudades.
Começa por ser só aquela sensação de borboletas na barriga que, digamos,
nesta altura ainda não é nem carne nem peixe.
Temos de ficar muito sossegadas, em silêncio e com muita concentração.
E aí, sim... lá vêm aquelas coceguinhas tímidas que
nos provocam um riso nervoso, num misto de felicidade e pânico.
E é aqui que, para nós, se dá início a nova realidade.
As calças começam a apertar cada vez com mais dificuldade.
Sentimo-nos maiores, muito maiores. Até podemos ouvir algumas bocas
para termos cuidado com a linha. Isto se não houver outras provas,
 como enjoos e cuidados alimentares, que pode até ninguém reparar
 que temos, em nós, um bebé.
É nosso e está a crescer cá dentro.
 E que ninguém lhe chame gases, que isso nos tira do sério.
(Apesar de que às vezes são mesmo...)
E depois queremos que toda a gente o sinta.
Armamos o escândalo, chamamos com urgência quem está mais perto de nós.
E quando essa pessoa pousa a mão na nossa barriga.... NADA! Um vazio total.
«- Juro, juro, que ele estava a mexer agora!»
Até aquelas grávidas que odeiam estar, acabam por recordar
nem que seja um momento daqueles, vivido a dois.
Há muitas sensações dispensáveis, é verdade.
Enjoos, azia, peso, calor, pontadas, retenção de líquidos,
celulite, estrias, dores, contrações, ciática, descolamentos de placenta
 e um sem fim de possíveis contratempos.
A gravidez pode ser um peso grande demais para o nosso corpo
e organismo suportarem durante os 9 meses,
mas haverá maravilha maior que o sentirmos mexer?!
O nosso bebé (porque para nós é sempre o nosso bebé)
passa de um risquinho no teste, para embrião, depois para feto e vai,
lentamente, ultrapassando todas as etapas.
Ganha peso e tamanho, ganha membros, órgãos e funções,
ganha ritmos e rotinas, ganha o nosso amor.
Ganhamos prioridades, tanto nas filas como na vida...
E quanto mais tempo passa, melhor nos vamos conhecendo.
Passamos a não nos sentimos nunca sozinhas, por mais estranho que isso
pareça a quem está (literalmente) de fora.
Somos dois em um, unidos por um cordão de amor.
Até àquela altura, em que chegamos a casa
depois de um dia de trabalho e já enormes (os dois),
nos sentamos, ansiosamente, no sofá preparadas
 para mais uma grande aventura.
Esticamos as pernas, descansamos os tornozelos, relaxamos e aguardamos.
Entregamo-nos de corpo e alma àqueles instantes privados e preciosos.
Começamos por não perceber muito bem o que está a mexer.
É a mão?! É o cotovelo?! Mais tarde identificamos, de olhos fechados,
 com que parte do corpo o nosso filho nos saúda.
Tornamos essa prática num hábito e até num vício.
Sabemos quantas vezes se mexe, quando se mexe e porque se mexe.
 E quando não se mexe, é motivo suficiente para nos levar, quase sempre desnecessariamente,
a ligar ao obstetra e muitas vezes até mesmo ao hospital.
Depois aprendemos alguns truques, graças às ecografias,
como um rebuçado ou um chocolatinho... para adoçar os movimentos do nosso bebé
 e acalmar o nosso espírito.
E mais extraordinário ainda é conseguirmos antecipar que ele se vai mexer!
«- É agora!
- Como sabes?
- Não sei. Simplesmente sei!»
Começamos por descobrir que depois da nossa agitação, vem a dele.
Que sente se estamos nervosas, excitadas, felizes ou tristes.
Que acompanha o nosso estado, certo que muitas vezes com delay, mas acompanha.
Se paramos ele mexe, se nos mexemos, ele pára.
Descobrimos que gosta de música e que até já tem alguns pratos preferidos.
E que ouve a nossa voz. E a do pai. E que o conseguimos acalmar.
Sentimos mesmo que, às vezes, ele parece tentar tocar nas nossas mãos.... e no nosso coração.
Damos festas e mais festas impossíveis de contabilizar.
Aliás uma grávida sem a mão na barriga, não é uma grávida.
Quase no fim é incómodo.
O espaço é pouco e o bebé já se sente nos sítios mais estranhos
como nas costelas, bexiga e, diria até, no esófago.
Espreguiçam-se, mudam de posição e entram numa luta contra os nossos órgãos
 por mais um pedaço de território.
Às vezes colocam-se só num lado, outras espalham-se por todo o lado.
Também há os soluços que dão uma enorme vontade de rir
 e a parte chata de fazermos xixi de 5 em 5 segundos.
E quase sempre tanto trabalho por um pingo.
Tira-nos a respiração, a posição e as noites bem dormidas.
Até que, depois da gravidez, já sozinhas, e ao mínimo movimento
 no nosso estômago, lembramo-nos daqueles tempos
e, - algumas - saudosas da parte boa, concluímos:
Podíamos ter ficado só assim... Um do outro para sempre!"


Rita Ferro Alvim

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11 comentários:

  1. Amei, Parabens pelo excelente texto!!! Fez-me recordar cada minutinho da minha gravidez, que saudades de sentir o meu Afonso na minha barriguinha!!!! :)

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  2. obrigado Rita.
    estar grávida é tudo isso.
    é a mais bonita magia.
    é andar... um palmo acima do chão.
    parabéns !
    texto lindo.

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  3. Rita até me arrepiei;) é tudo isso... O talento da escrita é realmente grandioso;)
    Beijinhos

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  4. Adoreiii! Está tudo tão certo! Tão "é mesmo assim" :)

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  5. Por muitas palavras que escreva jamais conseguirei dizer aquilo que me fez sentir neste momento...é como se tivesse a viver tudo de novo, como se sentisse o bater do seu coraçãozinho dentro de mim novamente. Obrigada querida Rita por me ter proporcionado um momento tão especial.
    Beijinhos grandes

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  6. Que texto encantador Rita!!! Assino por baixo de cada palavrinha*;)
    Em maio nasce o meu príncipe... até lá, vou saboreando estes momentos de partilha e cumplicidade, que descreves lindamente, com o maior sorriso nos lábios.:D
    Parabéns pelo blog e pelo livro!
    Beijinhos
    http://coxim-interiordesign.blogspot.pt/

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  7. Olá Rita,
    O se texto está delicioso!
    Estou com 27 semanas de gravidez e revi-me em cada palavra, em cada frase que escreveu...
    Ainda sorriu de lágrima no cantinho do olho enquanto ela se mexe...
    Vou guardar este texto com carinho.
    Grande bjinho e até dia 17 onde vou finalmente ter o seu livro ;)

    Mafalda

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  8. Olá
    Estou de 37 semanas e 5 dias....e acho que é impossível descrever melhor tudo o que tenho sentido nos últimos meses...simplesmente MARAVILHOSO.
    Parabéns
    Bjs
    Bela

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