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Sobre o amor

quinta-feira, agosto 28, 2014
Ando a pensar que o tempo não chega para amar os meus filhos. Que tenho tanto cá dentro, muito mais do que mostro {ainda mais do que mostro}.
O tempo que tenho para tratar deles, da casa, do trabalho, impede-me tantas vezes de poder dizer tanto que os adoro. Que os venero. Que são tudo. Que são o melhor que fiz nesta vida.
As migalhas no chão obrigam-me a baixar e assim não dá jeito falar. A estender a roupa, a tirar a loiça da máquina, a fazer camas, o jantar, perco o fôlego.  Faço estas tarefas quase sempre calada. Mais... Muitas vezes a pedir que vão para outra divisão, que estão a sujar o que limpei, que me deixem sozinha um bocado, para despachar tudo rápido. Ao computador, para me concentrar, estou muda. E os dias passam...
Na verdade, o que queria era não fazer. Era parar tudo e vestir o fato de homem-aranha pela milionésima vez ao boy ou maquilhar a girl, mesmo depois de lhe ter dado banho. Na verdade o tempo não me deixa amá-los em pleno. Na verdade tenho muitas vezes de ignorar o tempo para amá-los. Na verdade já passou todo este tempo, tão depressa, e não chegou para conseguir mostrar o quanto os adoro. [Será que sabem?!]
O tempo, ou antes a falta dele, traz-nos stress, pressa, nervos, cansaço, irritação. Retira-nos a atenção do essencial. Troca as voltas às nossas prioridades. Enche-nos de demasiadas rotinas. Priva-nos da beleza. Coloca-nos no alto, déspotas, a olhar de cima, sobre eles.
Um dia ensinaram-me o truque de me pôr à altura deles, de joelhos ou sentada, e ver como são pequenos. Como o mundo deles é frágil e mínimo.
Devemos zangar-nos ao tamanho deles. Descer e ver o mundo ao seu nível. Eles são tão pequenos. Quando descemos, ficamos minúsculas. A voz já não sai tão alto, os castigos transformam-se em abraços e podemos ver aqueles olhos e aqueles sorrisos. Descer mostra-nos o quanto eles são enormes para nós e o que representamos para eles. Descer contagia-nos de amor.

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24 comentários:

  1. Tão lindo querida Rita!! E é tão isso!!
    Um grande beijinho

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  2. "Descer contagia-nos de amor", tão bonito e verdadeiro.

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  3. Que lindo Rita!!! Como a compreendo...
    Obrigada por nos brindar com pensamentos destes tão puros e verdadeiros!!
    Muitos beijinhos
    Maria João

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  4. Tão lindas as suas palavras! Parabéns pela forma como se expressa.
    Eu tenho duas bebés de 13 meses e sinto o tempo a escapar-me pelas mãos.Sinto que não dou o que lhes devia dar...
    Amo-as tanto, mas tanto, que chega a doer o tempo que passo longe delas. Mas o dia-a-dia não me permite mais. E tenho pena
    Beijos

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  5. Que lindo!!!!...hoje vou beijar/ralhar/amar o meu de joelhos no chão.
    Vou me lembrar sempre destas tuas palavras, para melhorar, para melhorar.

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  6. ;) que lindo..... É por isso que a leio e venho aqui todos os dias...
    A Rita coloca em palavras, o que por vezes nós sentimos e não conseguimos explicar....

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  7. Que doces palavras... Vou guardar e ler muitas vezes, um texto inspirador! Um beijinho

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  8. Que palavras bonitas Rita. Dão muito em que pensar...mesmo.

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  9. Que texto tão lindo. E é tudo tão verdade. :-)

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  10. Lindo! Obrigada! Publiquei no meu FB e imprimi para pôr em casa em sitio bem visivel para que nós pais voltemos a ele sempre que o estivermos a esquecer...Obrigada!

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  11. Amei este post.... estou de lágrima no olho porque e exatamente o que sinto e o que tantas vezes penso quando faço o balanço do dia!
    Obrigada Rita, mil bjinhos ♡♡♡
    Joana Russell

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  12. Que lindo Rita!! Emocionei-me mesmo, estou com um nó na garganta... é tudo tão verdade, penso exatamente o mesmo.
    Beijinho e muito obrigada por o partilhar

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  13. Oh Rita, que lindo, até me vieram as lágrimas aos olhos... Cá em casa também me esqueço muitas vezes de descer e ver o mundo na prespectiva deles...
    Obg

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  14. Lindo...verdada verdadinha... Sinto o mesmo

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  15. E que tal este texto para "lagriminha pela manhã"??! Obrigada pelas palavras!

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  16. Tão queridas, obrigada a todas! É bom estarem aí! <3

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  17. Revejo-me no teu texto. Muitas vezes obrigo-me mesmo a parar, sento-me com ele, falo, brinco. A vida ganha logo outro sabor.
    Beijinhos <3

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  18. Pensava que era só eu. Ao fim do dia, depois de brincar com ela entre o jantar, a arrumação da casa, a preparação do dia seguinte e por aí fora, ouço-me a dizer "deixa a mamã um bocadinho!". Às tantas não dá mais, mas depois sinto-me culpada... Também tenho que descer. Obrigada.

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  19. Obrigada Rita! Revejo-me muito neste lindo e emocionante texto! E nunca é demais lembrarem-nos que temos de descer ao mundo deles. Desde que faço isso com a minha M que a vida tem outra doçura. E a roupa para passar pode esperar, a loiça para arrumar também e tantas outras tarefas domesticas que achamos que temos de fazer e que não podem esperar.
    Na verdade tudo isto pode esperar, porque se não fizermos agora, faremos amanhã ou depois. Mas os nossos "bebés"crescem rápido demais e mudam a cada instante. Por isso a atenção deveria ser constante...mas nunca é todo o tempo a 100%. Pelo menos que o tempo que passamos com eles, que é sempre menos do que gostaríamos, seja de 100% de atenção e dedicação. Acredito que com tanto AMOR serão adultos bem resolvidos e cheios de confiança e amor próprio. è o que desejo para a minha M e para os vossos. Grande beijinho a todas e um especial á RITA. Obrigada por posts diários tão deliciosos e por lindas fotos.

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  20. Ohh Rita ... Tão, tão verdade..., cada vez mais me dou conta disso!! Falou do coração como se do meu falasse!! Adorei Rita!! Mil beijinhos ;)

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  21. Esta para mim foi a lagriminha da manhã de hoje. Sinto tanto o que a Rita escreveu.

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  22. lindo!! já estou com remorsos de me ter zangado com a Catarina ... está cada dia com mais ciumes da mana Sara e estica a corda até rebentar! ...uiiiii.... mas é mesmo isto estas palavras sentidas são a mais pura verdade ....eles são o nosso prolongamento e sem eles a vida já não faz sentido....

    beijinhos i

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  23. Lindo texto!

    E esse truque de nos baixarmos ao nível deles por vezes funciona mesmo :-) De vez em quando, quando ando mais irritada desço ao 'seu mundo' visto de baixo e as coisas parecem-me sempre diferentes :-)
    Gostei muito de ler!

    Beijinhos grandes Rita***

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