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Défice de atenção. A nova desculpa para desinteressante.

segunda-feira, setembro 08, 2014
Vou ser super polémica e estou preparada. Afinal este é o espaço onde posso "falar" livremente.
Não sou psicóloga, não sou psiquiatra, não tenho filhos (acho) com défice de atenção, [embora às vezes pareçam]... BASICAMENTE NÃO PERCEBO NADA DISTO mas tenho amigas com filhos diagnosticados. Na maioria rapazes. São miúdos normais. 
Deverão haver com certeza casos mais complexos de défice de atenção, hiperatividade, etc... Não são estes. Deverão haver problemas sérios neste âmbito mas de repente virou moda renomear a fantasia, a criatividade e o pouco cativante que a escola e o mundo deles pode ser. 
O mundo quer filhos que caibam na forma. Quer miúdos sentados, quietos, parados, atentos, submissos, terra-a-terra, resignados. Miúdos de notas. Miúdos que empinam mas não opinam. Miúdos que ou gostam de matemática ou de letras. E que se não têm jeito para a ginástica, deverão de certeza ser bons a música. 
As escolas enchem-se de visitas de profissionais que têm de lá sair com um diagnóstico ou de défice, ou hiperatividade, ou dislexia, ou qualquer outra coisa que justifique a sua presença ali... E que tal criança? 
Défice de atenção está ligado desorganização, distração, esquecimento, dificuldade de completar tarefas, falta de noção de horários [quase que parece a minha definição enquanto pessoa ;)], mas, e muito mais importante, relacionado com criatividade, alta inteligência, habilidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e uma forte intuição. 
Os pais "stressam-se" porque têm filhos diferentes, em vez de se alegrarem por poderem estar perante um génio. Ou mesmo que não génio, um ser único e especial.
Para além de artigos como este  ou este que devem mesmo ler ainda temos mais provas que afinal, défice de atenção e brilhantismo não deviam ter cura:
Thomas Edison
Oscar Wilde
Picasso
Beethoven
Winston Churchill 
Alexander Graham Bell 
Sylvester Stallone
Cher
Tom Cruise
Whoopi Goldberg
Robin Williams
Lindsay Wagner
Suzanne Somers
Henry Winkler
John Lennon
Mozart
Dustin Hoffman
Danny Glover
Steve McQueen
Steven Spielberg
Thomas Edson
Einstein
Leonardo da Vinci
Walt Disney
Louis Pasteur
etc....

P.S. Há casos e casos. Há casos muito sérios. Há casos a que se pode simplesmente dar o nome de: criança! (E peço desculpa aos pais que lidam a sério com estas situações. Sei que vão entender que não é para eles.)

14 comentários:

  1. concordo a 100%!!! nada de encher as crianças com medicamentos! se há altura para disparatarem é precisamente a infância!

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  2. É por isso que a admiro, simples, clara, objetiva, um texto pequeno com tanta informação e tão esclarecedor! Concordo totalmente! Beijnho Rita

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  3. Acho que o maior problema e mesmo o embate com o modelo de escola tradicional. E quando comecam as queixas e consequentemente as preocupacoes dos pais. Sempre que me falam de uma suspeita de deficite de atencao e ha abertura, sugiro explorar outros modelos de educacao. Quando ha possibilidades economicas, procurar uma escola que se adeque aquela crianca e a solucao perfeita.

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  4. Também já me tinha apercebido que tudo agora é ...defice de atenção .... compreendo que haja crianças dificeis, conheço-as bem ...no entanto acho que as crianças são crianças e os " bichos carpinteiros" estão nelas! e ainda bem ...a Catarina e a sara cansam é verdade , há horas que penso ... quando é que vão dormir ... para ter 5 minutos de descanso mental... mas faz parte! é um processo deles como filhos e um processo nosso como pais. Custa-me e sei que custa também a algumas mães terem de tomar a decisão de dar medicamentos para "acalmar" esses bichos carpinteiros , mas por vezes são mesmo necessários...outras acho que é puro comodismo de certos pais que não querem abdicar das suas vidas para darem mais atenção e terem mais paciência ao crescimento dos seus filhos ( também conheço vários!). é um assunto polémico sim, mas que deve ser falado abertamente...e com tolerância.

    inês

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  5. Eu debato-me com esse dilema genial vs hiperativo :) como não conseguia lidar com os outros, sim com os outros, com o meu filho lido bem, tive que procurar ajuda de uma psicóloga e não me arrependo. Vou lá para me tranquilizar e dizer que o meu filho tem muitos pensamentos ao mesmo tempo, que é criativo, que tem valores que agora ninguém dá importância mas que no futuro serão muito úteis. E que tenho muita sorte porque o meu filho é um desafio constante e obriga-me a evoluir. Ele adora-a e eu pago para nós sentirmos normais, lidarmos com os rótulos dos outros e sermos felizes

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  6. Eu sei do que falas Rita, o ano passado levei a minha mais velha a uma psicologa porque enchi-me de queixas e queixinhas, porque a miuda nao está sossegada, porque não ouve, porque se distrai com facilidade, porque fala muito … resultada: criança normal, feliz, interessada, com gosto pela escola, sociavel, que se entende lindamente com as outras crianças e adultos, etc… Andava desinteressada com fraca autoestima, melhorada rapidamente com a mudança de lugar na sala de aula. Enfim tenho 2 filhas de 8 e 7 anos que são crianças, vivas, alegres, cheias de energia e isso não é bem visto, não lhes dá boas notas…
    Bjos

    Maggie

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  7. Rita, posso dizer-lhe que trabalhando na área há algum tempo, são muitas as vezes que preciso de "convencer" os pais de que não têm nenhum diagnóstico. Não são poucos os que nos procuram para poderem nomear algo com o qual não sabem lidar. Sim, há miúdos mais agitados do que outros mas são poucos os que realmente sofrem desses problemas. No entanto, o formato em que vivemos socialmente está definitivamente a contribuir para que se conheçam cada vez mais casos, não sendo apenas "moda" mas realidade.

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  8. Olá Rita, nunca comento mas neste post não podia deixar de o fazer. No outro dia fui á pediatra com os meus filhos, e o tema era exactamente esse. Ela é da velha guarda, e muito pragmática. Diz que hoje em dia todos os meninos têm défice de atenção diagnosticado pelos psicólogos (e não tenho nada contra psicólogos, não tem nada a ver!) e que na opinião dela, são apenas crianças, irrequietas e que precisam é de viver, brincar e saltar para gastar a energia. Em vez de estarem fechados em casa a ver tv e jogar consolas! E muitos deles, em vez de défice de atenção, têm é falta de carinho e educação!!! Obrigada pelo que escreve, Silvia

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  9. Sou mãe de um rapaz com dislexia e défice de atenção. Para além do JT, que é o mais velho, tenho mais 3 filhos. Leio e interesso-me por este assunto há 5 anos. E, gostei muito de ler o post da Rita. Não tenho dúvidas sobre o diagnóstico do meu filho e não tenho igualmente dúvidas que a medicação foi importante para ele (numa fase em que a maturidade não era suficiente para desenvolver estratégias de aprendizagem satisfatórias). Há um ano, deixei de o medicar. Na minha opinião a sensibilidade da família (e capacidade de recolher BOA informação) é o mais decisivo para o bom desenvolvimento da criança. Não tenho dúvidas também, que estas crianças são de facto muito inteligentes e posuem um gigantesco potencial para inovar! Obrigada pelo post :)

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    1. Querida Sara! Tão bom lê-la.
      Um beijinho e ainda bem que tudo correu bem.
      Tem um menino de ouro de certeza! <3

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  10. Dava pano para mangas...
    Tenho 3 filhos rapazes, um deles com DDAI - distúrbio de défice de atenção e impulsividade.
    Nunca tive queixas por falta de educação, nunca perturbou uma aula. Apenas não estava atento, andava perdido nos seus pensamentos...
    Está medicado há 3 anos. As melhoras de rendimento escolar são notórias, com a consequente subida vertiginosa da auto estima.Hoje é uma criança bem mais feliz.

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  11. Também sou mãe de um rapaz com déficit de atenção (não tanto de hiperactividade) ... A medicação dada nunca pode ser considerada como "comodismo" dos pais, uma vez que tem que ser receitada por um médico (e não um psicólogo) após algum tempo de análise da situação ... aliás, a compra dos medicamentos é a mais complicada que vi até hoje, exige sempre identificação de quem compra, moradas, etc., etc. Depois, é muito fácil dizer que tem que existir a escola certa para as características do nosso filho. Tudo funciona ao contrário dessa ideia. A escola oferece quase sempre um ensino "normalizado" até ao 12.º ano, sem grandes ou pequenas alternativas. Acaba por ser a criança que tem que se adaptar ao sistema de ensino, principalmente numa cidade pequena, como a onde vivo. E entre medicar o meu filho, aconselhada pelo pediatra, e vê-lo mais atento, mais responsável, mais feliz com o seu sucesso (atenção, sucesso igual a aluno com notas médias) ou deixá-lo andar a reprovar, desanimado ... nitidamente prefiro a primeira hipótese.
    Esta "discussão" recorda-me o quão difícil é um adulto ter uma depressão diagnosticada (quantas vezes com origem genética) e haver tanta gente a dizer que tem que ser forte, ter pensamento positivo, blá, blá, blá ... tudo o que se passa no cérebro é ainda muito mal compreendido e aceite.

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  12. Eu tenho 20 anos, e tenho défice de atenção, foi diagnosticado quando tinha 12 anos. Estive medicada com ritalina e realmente é como uma droga, cada vez que a medicação acabava no dia seguinte não estava descansada senão a tomar.
    Estive até aos 16 anos sem medicação, admito que fui um completo desastre, a minha mãe já não tinha mais por onde se mexer. Andei em psicólogos até ao dia em que fui encaminhada para uma pediatra, graças a essa pediatra estou neste momento estou medicada com o concerta. Fiz o meu secundário lindamente, e hoje estou a trabalhar na secretaria de um colégio. O único problema do concerta é cortar o apetite mas de resto é o melhor para mim, por isso, hoje sou uma pessoa completamente normal. E é verdade que maior parte dos médicos dizem que as crianças têm défice de atenção e hiperatividade, fazem isso só para darem um certo "descanso" aos pais, aconteceu o mesmo com a minha mãe.

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