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Olá eu sou a Rita e sou irmã mais velha...

quarta-feira, setembro 17, 2014
Não sou traumatizada, começo por dizer. Até uma altura, corrijo.
Nunca senti o lado negativo de ter irmãos. No lado materno fui rainha até aos 3 anos. Fui a primeira neta do  lado da minha mãe, que tem 8 irmãos. A minha tia mais nova tinha 7 anos e, por isso, fui um petisco para a família.  Do lado paterno era a única que vivia perto dos avós, mesmo perto. No andar abaixo. E, por isso, nada me metia medo.
Quando eles - os intrusos - nasceram tudo podia ter mexido com a minha cabeça e bens pessoais. Mas por acaso, não. Diz a minha mãe que eu tinha coisas mais importantes para fazer na vida que perder tempo com traumas. Epá, vieram, ainda bem, mas tenho uma vida toda para viver.
Mais tarde, já perdia algum tempo a bater-lhes mas sempre numa de justiça quando os dois se pegavam à pancada. Defendia sempre o fraco.
No meio de tudo isto fui ganhando um orgulho enorme de ter irmãos. Levava-os para todo o lado e pedia à minha mãe para com uns 9 anos, atravessar Lisboa do chiado ao Príncipe Real, e ía sozinha buscá-los à escola e trazia-os, mais mochilas e lancheiras, para casa. Sãos e salvos. A minha mãe diz que nunca por um segundo teve medo que não desse conta. [Como se isto hoje em dia fosse possível].
Lembro-me também de querer partir a perna, para pôr gesso e os amigos assinarem, claro. Punha uma mochila com a alça para cima no meio do corredor, ia a correr disparada, tentando enfiar o pé para o objectivo. Nunca consegui. Um dia a minha irmã, sem querer, partiu a dela. Usou gesso e os amigos assinaram. Fiquei feliz. [Mas porque vi ali uma nova perspectiva.] Passei a levá-la comigo para todo o lado [demorava horas e ela suava] para mostrar ao mundo o gesso da minha irmã.
Tudo isto mudou quando na minha adolescência comecei a ouvir a minha mãe dizer:
- Só vais se levares a tua irmã. 
[Nunca tentem fazer isto em casa.] É certo e sabido que não se pode fazer comigo. Não ia. Nenhuma amiga levava os irmãos. Falávamos de rapazes e fumávamos às escondidas. E a minha irmã não cabia ali.
Por isso, quando li este texto maravilhoso, conclui que os meus irmãos têm uma sorte danada para, depois de tudo isto, estarem vivos.
;)
[Agora, passada a fase da adolescência, continuo a ir buscá-los à escola no meu coração.]


1 comentário:

  1. Também adoro os meus irmãos (também uma rapariga e um rapaz). Mas eu sou a mais nova. Sofri qb (a minha irmã também não me levava quando saía com os amigos ou então ia bem contrariada) e fui sempre muito protegida e mimada por eles.

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