menu-topo

Carta aos meus filhos #6

terça-feira, março 03, 2015
Queridos filhos,
daqui mãe!

Escrevo-vos para vos dizer que estou exausta, mas tão melhor, por tentar a parentalidade consciente. Tenho, ultimamente, lido muito sobre este tema. Não só por vocês, que me dão cabo dos nervos, que são enérgicos e que parece que não se esgotam, mas por por mim, que tantas vezes sou a mãe que não queria, resmungona, chantagista, impaciente.
De vez em quando, para além de pensar na mãe que quero ser, preciso de repensar a pessoa que sou. Não gosto de mandar, não gosto de ralhar, nem de ter mau feitio. E tudo isto parece que vai contra o que muito do que a maternidade exige, ou se pensa exigir: Firmeza, autoridade, intransigêngia.
Um dia li que o melhor de tudo no mundo que podemos dar aos nossos filhos somos nós.
Não há brinquedo melhor que a nossa presença.
Mas esse nós tem de ser pleno e estar bem para tudo estar em harmonia.
Que pessoa seria esta que ameaça, refila e persegue? Que raramente está satisfeita e descansada para brincar? E se eu fosse assim com toda a gente à minha volta?! Seria intragável e garantidamente não teria um amigo. [Podia até ir presa, sei lá.]
E então porque teria de ser assim para os meus filhos, as minhas jóias mais preciosas, que adoro, e que quero proteger e a quem quero servir de exemplo?!?
É neste percurso difícil, mas muito melhor, que estou. Este caminho, que por cá ainda será visto como má educação por muito tempo e que é difícil de explicar tem tido, na verdade, resultados práticos. É ainda mais difícil do que estar sempre a refilar porque ainda tenho de pensar e reflectir antes de agir. Na realidade não é uma forma fácil de explicar porque temos de esquecer muito daquilo que pensamos ser o certo.
Agora não, estou com pressa, vai para o teu quarto, calem-se, ... Se não fazes isto acontece-te aquilo. 
O que vos estava a ensinar? Que raio de exemplo vos dava? Como vos digo para serem bons, altruistas, tranquilos, verdadeiros, se não vos mostrava isto? Como explico à minha família e amigos que este não é um caminho de mimo, mas de auto-conhecimento e de auto-estima?!
Vou continuar a tentar abolir estes julgamentos do meu dicionário parental. Vou continuar a tentar uma maternidade nova de respeito e sem abusos de poder.
Vou continuar a tentar não julgar comportamentos, mas estar atenta a necessidades. São a satisfação delas que resolvem comportamentos.
Não é fácil porque tenho cá dentro tanto que durante anos ouvi e oiço sobre o que é educar... mas eu sinto, tenho provas, de que consigo ser ainda melhor pessoa para os meus filhos, como tenho tentado ser para os outros.
E se me voltarem a ver desatenta, porque não é fácil dar 110%, lembrem-me sempre que é para isto que cá estou. Para vos olhar e vos guiar. Não para mandar.
Adoro-vos, mãe!

8 comentários:

  1. Mas é tão difícil às vezes assumir a "parentalidade positiva" quando estamos cansados e eles não ajudam... ainda hoje falei disso...

    ResponderEliminar
  2. Espero que consiga ter os resultados tão desejados e é claro que conseguimos basta querer :)

    ResponderEliminar
  3. http://macaquinhasnosotao.blogspot.pt/2015/03/taaaaaaaaaaaaaaauuuu.html
    :( shame on me!!!

    obrigada pelo texto Rita! hoje também tive o meu abre-olhos. A ver se me lembro dele por muuuuuuuuuito tempo ;)

    ResponderEliminar
  4. Lindo Rita! <3
    Que cartas maravilhosas!...

    ResponderEliminar
  5. A Rita põe sempre em palavras aquilo que ando a pensar....parece telepatia! É exactamente isto sem tirar nem pôr!
    Obrigada pelo texto, como sempre na "mouche"!
    Bjinho

    ResponderEliminar
  6. Há dias e dias. Se eles estiverem bem "domesticados" não é preciso viver em regime policial. Por vezes é necessário marcar uma fronteira. Custa ralhar ou castigar, mas facilita o percurso.

    ResponderEliminar
  7. Tenho andado a matutar neste texto. Tenho 2 filhotes com a mesma idade dos seus. E revejo-me nessa necessidade de dar o melhor de mim a quem gosto mais e na frustração de nem sempre o conseguir.
    Mas houve um dia em que, farta de ser devorada pelo egoísmo deles, desabafei. Lembrei-lhe que a mãe também é uma pessoa e que também tenho vontades e necessidades. Que de manhã acordo rabugenta, que às vezes não me apetece brincar, que gosto de ir à casa de banho sozinha... E que eles têm de respeitar isso. E eles perceberam. Percebem.

    ResponderEliminar