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Porque é que eu gosto mais de mim agora?

quinta-feira, junho 18, 2015
Em criança era um furacão. A minha mãe pedia-me mimos e eu dizia que não tinha tempo. Já nessa altura tinha uma série coisas para fazer. Não perdia tempo com chatices, nem com problemas, nem pensamentos, nem dramas. Aliás drama não é comigo. Não tinha medo de nada e, muitas vezes, se via uma cena injusta, atirava-me para o meio e batia nos mais fortes para defender os mais fracos. (Era pequenina mas destemida]. Sempre odiei injustiças.
Mas tinha uma coisa má que se estendeu e se agravou pela minha juventude.
Acho que nunca parei para me dar valor. Não que me punisse ou que me odiasse, mas apenas não me ligava nenhuma. Andava tão a correr que não me lembrava de mim. E costumava dizer que se me visse na rua não me conhecia, tal era a falta de atenção para comigo.
Acabava por me pôr em último plano pelos outros e assim fui vivendo sempre como a miúda que defendia mas que não se defendia a si.
Estava sempre tudo bem. Mesmo quando, às vezes não estava. Mesmo quando às vezes não achava justo, calava-me e seguia. Mesmo quando tantas vezes não tinha as mesmas oportunidades e que eram dadas a quem não tinha feito nada por isso. (Isso ainda acontece.)
Nunca enfrentava nem perdia tempo com isso. Nunca esperei por oportunidades. Criei-as e batalhei por elas. Muitas vezes perdi.
Continuei sempre com mil coisas para fazer sempre em mil projectos, babysitting, feiras como hospedeira, entrega folhetos, nunca parei. Uma vez, tinha 16 anos, estava a servir às mesas numa pizaria, e faltou a senhora que lavava a loiça. (Tachos e tachos).
O meu pai apareceu por lá e ao ver a sua "bebé" no meio duma pilha de loiça e gordura disse-me que me dava o dinheiro desse dia, para eu ir para casa que era demais para mim. Ri-me e disse-lhe que a experiência só me fazia bem. E continuei a rir... e a lavar.
Depois cresci. E foi depois de ter filhos que me tornei melhor.
Começou por ser por eles. Outra vez por outros. [Ou então seja mesmo só a idade que nos faz isto]. Quando o meu instinto me atiçava para os defender de alguma coisa.
Há pouco tempo comecei a ver-me batalhar pelo que acredito. A dizer não. A dizer o que penso.
Não sou uma arruaceira, continuo a odiar conflitos, mas percebi que temos de nos defender e que lutar por nós.
Continuo a evitar o que é mau, as más energias, as que vivem em drama sem o terem, as pessoas que se queixam, as que não têm escrupúpulos, as que não me querem verdadeiramente bem e que estão de mal com vida. Por essas percebi que não vale a pena atirar-me para o meio.
Agora luto muito mais por mim e pelos meus. Sou determinada e muito mais segura.
Não tenho sempre de justificar as minhas escolhas, os meus nãos e os meus sim.  E digo o que penso, mesmo que me custe. Porque quem não se bate por si acaba muitas vezes pisada.
E, embora tenha sido sempre feliz, gosto muito mais de mim agora.



2 comentários:

  1. Eu sempre me dei sem nunca me darem e não me importava, ou importava mas era inconsciente. Daí até aos dias de hoje, a diferença é que já me defendo cortando com quem tanto mal me tenta fazer, mesmo que inconscientemente o façam mas habituaram-se a que eu fosse saco de boxe. Mas isso acabou porque já me defendo, já levam o troco e quero que se lixem. Tento cuidar dos meus, que tem tantos problemas como eu os tinha qdo era jovem, com a diferença de não terem quem os deite abaixo e de me terem sempre com eles..

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  2. Ohhhh tão mas tão parecida com a minha história, com a minha pessoa...e só temos 3 dias de diferença, se não estou em erro, as balanças são assim por vezes só os outros importam e até um desconhecido queremos ajudar...e raramente perdem tempo a olhar para si próprias, cuidando do seu exterior (embelezamento do corpo), mas, cuidam muito bem do seu interior (lado espiritual) do seu lado mais próximo de Deus. Os filhos, sempre os filhos a coisa mais importante da nossa existência.
    Eu também gosto muito mais de mim agora.
    Mil beijinhos querida Rita, da amiga e fã, Elisabete Figueiredo

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