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O que acham

terça-feira, março 15, 2016
disto?
É incrível como os números do ensino doméstico estão a crescer. Há uma nova onda de voltar a velhos costumes, de travar o tempo de loucos que vivemos, a exigência da escola, a competição, a generalidade. De olhar para cada criança como ser individual, com as suas necessidades e características próprias.
Confesso que invejo esta coragem de mudar de vida, da liberdade, mas acho que não sou essa pessoa de conseguir ter rotinas certas, a paciência e a abertura que o homescooling exige. E seremos suficientes? De quanto de fora precisarão os nossos filhos? E nós? Onde está o equilíbrio?  
Também já fizeram essas perguntas?
Mas vejo-lhe coisas positivas. Principalmente, sobretudo, em mais pequenos. Depois à frente é que a porca torce o rabo... [E torce muito quando foge para as matemáticas e químicas...;)] E o unschooling?! O que me têm a dizer??? Hardcore? Chegará a vida para os ensinar?
As coisas que mais questiono é se ensinaria de forma certa, a falta que faz fazer amizades, o recreio, as regras sociais. Se só eu chego para a vida deles. Se uma vida tão isolada é suficiente. Se passamos a donas de casa e professoras que tempo temos para as nossas coisas?! Vamos ficar insuportáveis?
Mas também dou por mim a pensar que a vida corre depressa demais, que os filhos crescem depressa demais e se a correria dos nossos tempos vale mesmo a pena. Onde a posso travar?
Talvez agora que, depois de tudo engrenado, uma filha na primária, outro quase, me chegar outro bebé só me apetece aproveitar ao máximo. Aliás, sempre me apeteceu, mas agora preciso de mais tempo para três.
Sim, invejo um bocadinho isto. Mas é preciso espírito e coragem para esta aventura. Será talvez mais fácil para quem vive no campo, tem muita gente à volta e muita natureza onde buscar ensinamentos [e paz]. Se fosse nessas condições era já. O inverno na cidade deve ser de doidos e o fazer isto sozinha, sem avós, tios, vizinhos, o espírito que se vive fora da confusão torna a coisa mais difícil.
Acho que o meio termo estaria numa escola em doses moderadas. Repartida entre as duas partes. Ou seja, menos tempo. [Era tão bom não era? Que desse para trabalhar só um bocadinho e termos condições para sermos mães mais tempo.] O problema é que por cá ou trabalhas e pagas a educação, ou ficas em casa a contar trocos.
Admiro os pais que deram este passo. E tenho-lhes um bocadinho de inveja. Só um bocadinho.
Foto do livro Socorro! Eles crescem tão rápido!



4 comentários:

  1. Este artigo não menciona as comunidades de aprendizagem, possivelmente um verdadeiro meio-termo. As crianças aprendem umas com as outras, têm um professor ou facilitador, ainda que formalmente esteja em ensino doméstivco. Falo aqui sobre isso para quem tiver interesse: http://mae-sabichona.blogspot.pt/2016/03/comunidades-de-aprendizagem.html
    Eu própria estou a inteirar-me mais sobre o assunto mas também tenho muitas dúvidas.

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  2. Eu tenho muitas dúvidas em relação ao ensino formatado que existe nas nossas escolas mas tenho a certeza que eu não poderia ser a professora dos meus filhos. É mesmo uma questão de falta de vocação. Também não conseguiria ser mãe a tempo inteiro. Creio que seria uma mãe pior se fosse mãe a tempo integral.
    Mas gostaria imenso de trabalhar metade do tempo e ter muito mais disponibilidade para os meus filhos.
    Quanto ao "unschooling" parece-me mesmo muito interessante. Não sei se teria coragem de o praticar desde sempre mas acredito que, a determinada altura, é muito mais pertinente que o ensino universitário, por exemplo. Claro que depende das áreas.
    Eu não faço questão nenhuma que as minhas filhas frequentem a universidade. Preferia muito mais vê-las empreendedoras em algo que fosse a sua verdadeira paixão. Creio que podem aprender muito mais como auto didatas, viajando pelo mundo e convivendo com os melhores da sua área de interesse do que em qualquer universidade.

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  3. Tema que dá pano para mangas e, com certeza, há opiniões variadas. Na minha opinião, acho que a melhor solução seria mesmo podermos trabalhar em part-time, como é possível em tantos países. Isso permite que as crianças tenham um tempo na escola, convivam com outras crianças e outros adultos, e depois consigamos estar com elas, a brincar e, eventualmente a fazer tpc's e a rever a matéria. A minha mais velha foi para o 5º ano e arrepia-me ver amigos dela a entrarem num atl antes das 9h (às vezes muito antes) e, às 18.15 quando a vou buscar à escola, alguns ainda voltam, na carrinha, para o atl.....que violência.....para pais e, especialmente, para as crianças.
    Um part-time conseguiria baixar a taxa de desemprego. Afinal se alguém está a meio-tempo é necessário outra pessoa para fazer o outro meio tempo. Devia ser assim. Mas não é. Metade dos nossos salários não dão para viver... Mas acredito que se um part-time equivalesse a 70% da remuneração, muitos pais colocariam essa hipótese.
    É pena que nada disto nunca tenha sido considerado pelas pessoas que decidem no nosso país....assim acho que iremos continuar a ser os campeões em baixas taxas de natalidade :-(
    e a vida passa, eles crescem e olhamos para trás e perguntamos o que fizemos do tempo que devíamos ter estado juntos, a partilhar, a crescer e a aprender ...juntos!
    Ontem vi este vídeo e amei....
    https://www.facebook.com/eliel.unglaub/videos/990678417689548/

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    Respostas
    1. concordo tanto...
      existe essa possibilidade na nossa lei, a de trabalhar em part-time para assistência a filho menor de 6 anos, mas só durante 12 meses :(
      também existe a modalidade do part-time durante dois anos para assistência a filho menor de 12 anos, mas essa já é sujeita a aprovação por parte da entidade empregadora :|
      os 50% de salário nunca são só 50% porque o subsídio de almoço e outros benefícios são pagos por inteiro e, depois, pode acontecer que, como se passa a ganhar menos, os descontos para impostos também baixam e por isto tudo acaba por não ser só 50%.
      Mas, sim, é difícil viver com metade, particularmente se se tratar de família monoparental, e, pior, mesmo que a pessoa tenha a coragem de tomar a decisão, daí a 1 ano ou 2 acaba-se.
      ...

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