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Tempo para amar.

terça-feira, julho 05, 2016
5 meses. É o tempo que tenho para amar esta bebé em exclusivo. 5 meses é pouco. Faço já contas à transição para os sólidos, à inevitável quebra da amamentação a 100%, a quem entregarei a minha bebé, às saudades que vão apertar, à tristeza que sei que vou sentir. Faço contas ao tempo que já passou. Penso que não haverá peito para a confortar se estiver triste, com sono, com saudades. Que o embalo tem um ritmo certo e o tom de voz tem de ser baixo. Que esse tempo "bom para cuidar de mim" o trocaria facilmente por tempo para cuidar dela.
E conto os dias com o pesar da separação enquanto a nossa ligação parece crescer e fortalecer-se minuto a minuto. 
"- Estás a sofrer por antecipação", diziam-me noutro dia. Estou. 
A minha bebé deixou de ser aquele ser maravilhoso que dormia todo o dia para ser o ser maravilhoso que ri e tenta falar  mexendo todo o corpo. Aquele ser que era leve e se aninhava em metade do meu tronco para o ser que me sobra e me pesa nos braços. Aquele ser que me era totalmente desconhecido para o ser que ninguém conhece melhor que eu. Aquele ser lindo. Saberão que é assim tão especial?
Saberão que ela gosta que a elogiem quando come? Saberão que gosta de mimos? Que gosta de colo quando há barulhos ou vento? Que gosta de beijos, de sorrir? Que arrota de uma maneira especial, que luta contra o sono, que o truque são mimos?! Saberão que se abana o braço é porque não arrotou, que se levanta a cabeça é porque quer estar direita, que gosta de dormir ao colo com o nariz colado ao braço? Que gosta mesmo de ter o ouvido junto ao meu coração e de ser abanada ao mesmo tempo? Que gosta de festas na testa?
O meu tempo para amar vai ser interrompido. Vai ser cortado o nosso cordão que é cada vez mais forte, ao contrário do umbilical. Sim, estou a sofrer por antecipação. Porque este devia ser o meu tempo para amar.
[Este é o meu tempo. Talvez até mais do que o de muitas mães. Eu sou todas as mães que sofrem por tempo com os seus bebés, com os seus truques, manias e necessidades físicas e de amor.]


13 comentários:

  1. Confesso que me emocionei. Esta fase custa muito, mas por certo irá correr tudo bem. As mães precisam de mais tempo, muito mais. Beijinho

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  2. As segundas dores de parto, o corte do cordão que não se vê. Tudo acontece naturalmente e nada melhor do que o tempo para apaziguar todos esses sentimentos. Vai correr tudo bem :)

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. maria João pereira5 de julho de 2016 às 14:01

    Eu fiquei imocionada com o que li, a minha filha passou pelo mesmo com a luisinha e também sei que não está nas nossas maos, deixar de sofrer por antecipação, mas lembresse esse tempo é tempo perdido, viva só o agora o amanhã a Deus pertence, a minha filha sofreu e sofre horrores quando vai trabalhar (assistente de bordo), são horários doidos chegar a casa e já a luisinha estar a dormir, sair e ela estar a dormir......enfim graças a Deus existem os telemóveis e ela sempre que aterra quer saber tudocomeu, dormiu , esteve bem todo o dia......enfim tudo o que quem ama quer saber, a parte da escolinha custa um pouco, mas ajuda imenso quando vamos a subir as escadas, já a luisinha vai a chamar pelas educadoras e vai logo ao colo delas, manda beijinhos à mãe e fica feliz da vida, isso para nós é fabuloso, é sabermos que o nosso maior tesouro, está super bem entregue e quando a vamos buscar lá anda ela a dar os seus primeiros passinhos de mão dada com uma educadora (13 meses) é o começo de uma enorme caminada que é a vida, o sair de baixo da asa da mãe "galinha" aí vão começar a "voar"todos os dias um pouquinho mais. Como eu a entendo com o sofrer pr antecipação, viva o agora aproveite vai passar tão rápido, beijinhos avó da luisinha.

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  5. Rita, é tão isto! Recomecei há quase um mês a trabalhar, precisamente no dia em que a minha filha fez 5 meses. É essa forma de os conhecer profundamente, das suas manias, dos seus medos, das suas necessidades que, diga-se o que se disser, ninguém sabe tão bem aplacar como uma mãe... é o olhar deles no nosso, tão fundo, enquanto mamam. É o sorriso a despontar por trás da chucha gigante. Sou eu a escrever este comentário no trabalho e a ficar em ânsias para que cheguem as 16h30 (viva o horário reduzido!!!) para ir a voar pra casa.

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  6. Custa tanto, um mês antes chorava todos os dias, não me podia lembrar...
    Muita Força!
    BJS

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  7. Rita sigo o seu blog há algum tempo e este post tocou me especialmente.... Tive gêmeas em abril minhas 5 e sexta filha.
    Apesar de estar habituada depois de 6 bebés sofro imediatamente por antecipação .... A perspectiva de os dias sem eles e apenas umas poucas horas entre a chegada do trabalho e a hora de dormir deixam me arrasada.... Mas de facto não devemos deixar esses sentimentos toldar nos e não aproveitar o pouco tempo que nos é concedido para estarmos com os nossos filhos.
    Desejo lhe tudo de bom

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  8. Como compreendo cada uma das suas palavras!...
    Eu sofri na primeira pessoa a dor da separação dos meus filhos, como também a vejo nas mães que deixam os seus bebés comigo na creche onde trabalho...
    Adoro o que faço, mas assumo que a minha profissão até idade pré-escolar, não deveria de existir, porque estamos numa sociedade em que estamos a ter filhos para serem outros a tomarem conta deles...
    Por muito que me esforce, não existe NINGUEM que conheça melhor aquele bebé do que a sua mãe. E a situação é tanto pior quanto ao número de bebés por quem tenho de distribuir a minha atenção...
    Espero que a pessoa que vai tomar conta do seu rebento o faça da melhor forma que lhe for possível, pois quanto a si... sei que com o tempo acabará por se conformar, mesmo que não o aceite. Comigo se passou o mesmo. Nós, mães, temos de ter essa capacidade (infelizmente).

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  9. Querida Rita,

    Costumo dizer que pagamos a quem tome conta dos nossos filhos, quando nós com eles ficaríamos de bom grado, gratuitamente!
    Tb sofro por antecipação e acho sempre que deveríamos poder ficar com os nossos bebés pelo menos até aos 3 anos, mas estamos muito, muito longe disso...
    Aproveite os mimos, os abraços, o cheiro, a maminha que só nós damos, tudo, tudo.
    Beijinho grande
    Mãe do João e da Rita

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  10. Rita
    Como a compreendo, estou a um mês de terminar a licença e estes 4 meses que já passaram parece que voaram!
    Tambem estou a sofrer por antecipação.
    Devíamos ter mais tempo, e o horário reduzido deveria ir até aos 3 anos!!
    Bj
    Catarina

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  11. A maioria das pessoas ainda não sabe, mas depois dos 5 meses, podemos tirar ATÉ mais 3 meses (licença parental alargada) mas só paga a 25%. O pai também pode tirar outros 3 meses pagos a 25%. Depois disto podemos tirar licença parental sem vencimento durante um máximo de 2 anos (com 1 ou 2 filhos) ou máximo de 3 anos para quem tem 3 filhos ou mais. Esta licença pode ser gozada até o filho mais novo ter 12 anos. Estou em casa com um bebé de 1 ano neste regime. Porque o dinheiro não é tudo e estes tempos passam rápido... Fazemos muitos sacrifícios em termos monetários (este ano não há férias, cortamos em TODOS os extras, etc ) mas não nos arrependemos um segundo que seja! O problema neste país são os salários baixos e a lei que existe mas as pessoas não conseguem usufruir dela! Muitas felicidades para si e toda a família!

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    1. Acho que toda a gente já sabe disso, mas é incomportável. Que família comum tem disponível 75% do ordenado para poder ficar sem receber?

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    2. Acho que a maioria da pessoas está careca de saber isso dos 25%, mas a maioria das pessoas não tem 75% do salário disponível para não o receber. Há que ter noção...

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