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Ser fiel (a mim própria).

segunda-feira, abril 10, 2017
Eu não me sentia jornalista. Pelo menos uma jornalista mais séria (digamos).
A minha chegada à SIC foi para os programas, em 2001 (imaginem...).
[Aqui em baixo segue um video a ver se se lembram;)]
Solteira, nem ainda namorava com o meu marido... saí 16 anos depois, com uma família e uma vida bem diferente da que tinha na altura.
Depois o fim desse programa e o ser mãe acabou por me encaixar numa profissão que, na sua forma mais pura, não se adequava a mim, ou eu me sentia sempre tentar adequar-me a ela. 
Mas fui fazendo. Sempre sabendo que não ia ser barra se me pedissem mais do que as histórias do dia a dia. E a fugir a temas mais complexos como política e economia. (Não são mesmo a minha praia.) E a informação tem a sorte de ter muitas vertentes e assim fui ficando. Sempre a pensar que podia estar a roubar o lugar a um talento muito mais merecedor que eu, muito mais talhado que eu. E também, no meu íntimo, sempre a pensar no que podia estar a perder fora do jornalismo.
Adoro escrever, adoro muitos trabalhos jornalísticos e alguns temas. Mas não me sentia tão jornalista como os meus pares. Eu sou da escrita criativa, do subjetivo, do adjetivo. Tudo o oposto ao que se quer no jornalismo. Objetividade, rigor, assertividade.
E assim sempre fui mantendo distrações paralelas, porque a minha imaginação assim me obrigava: escrever para revistas, escrever livros, o blog, a fotografia, os filhos... E estas foram ganhando terreno na minha vida. 
Até que o jornalismo, acabou por ser o tema com menos peso na minha vida, mas com muito do meu tempo.
Quando larguei a carteira senti um alívio. Saíu-me um peso de cima. 
Foi a minha verdade, que tardou em chegar, mas que chegou. Entreguei-a com a leveza duma criança se desliga dos trabalhos para ir brincar. Sem olhar para trás. 
Terei sempre um bocado de jornalismo em mim, aquele que conta histórias e que emociona. Aquele que toca e comove. Aquele que muda algo. Nunca o da rigidez dos números ou do limbo dos partidos. Ou do que simplesmente observa para relatar. terei sempre um bocado do jornalismo das coisas boas. Das vitórias, da realização de sonhos, dos encontros. 
Serei sempre um bocado jornalista aqui, trazendo o rigor e a verdade com as cores da criatividade. Porque há coisas que nunca morrem, mesmo quando se fecha uma janela. E porque, trouxe comigo uma escola que nunca quero esquecer e que me tornou no que sou hoje.
Esta é a minha verdade e é tão bom viver com ela.
[Claro que trocava já toda esta conversa por este peso aqui em baixo. Tou a gozar. ;)]

2 comentários:

  1. Maravilhoso estou tão feliz por si Eva desejar o melhor! ❤

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  2. ai Rita... revi-me em tudo o que escreveu... a maternidade (sobretudo o segundo pós parto em que agora me encontro) mudou muito a minha perspetiva do que quero para a minha vida. deste lado são 15 anos de jornalismo (científico/sério), na essência adoro o que faço (escrever), mas encontro-me cansada, tão cansada... dos mesmo temas, das mesmas pessoas, da falta de autonomia e criatividade, das chatices normais que se vivem em todas as empresas... quero TANTO mudar! isto já não me preenche e acho que já não sou uma mais valia para a profissão... Mas ainda não consegui dar o salto, nem posso fazê-lo de forma irresponsável... mas PRECISO ser fiel a mim mesma. Como se faz para mudar? O que vou fazer? O que sei fazer? O que quero e consigo desenvolver? Como vou pagar as contas? Tantas questões, tão poucas respostas... Obrigada pelo seu desabafo, mais não seja por ter motivado o meu... é bom por estas coisas no papel (ou no écran) e é bom saber que não estamos sozinhas. um beijo e seja sempre fiel a si mesma.

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