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Os dias-da-mãe-que-eu-não-quero-ser.

sábado, julho 22, 2017
Quando me acontecem os dias-da-mãe-que-eu-não-quero-ser eu sei bem porque é. 
Normalmente, estou cansada, preocupada, ou estou com coisas a mais entre mãos ou na cabeça. 
Nesses dias é difícil ter controlo sobre todas as coisas. Sobre todas as emoções. Sobre todos os filhos. Sobre todas as tarefas. E parece que tudo se vira de pantanas.
Os mais velhos pegam-se mais, há (muito) mais asneiras, até a casa parece desarrumar-se mais depressa.
Eu podia ter 3 filhos calmos, podia. Ou dois. Ou até um. (Podia, mas não era a mesma coisa.) 
Quando dou por mim estou a ralhar há uma hora e meia sem parar, a repetir um discurso sem fim e, acima de tudo, sem audiência. 
Os dias-da-mãe-que-eu-não-quero-ser fazem parte de ser mãe mas não os devo aceitar. São os dias que acabam com um remorso qualquer porque inevitavelmente fui injusta ou falei demais.
E depois tenho insónias como esta. 
Porque os massacrei com o que devia ter sido e esse momento já era. 
Porque não dei a volta ao ambiente e porque me portei bem pior que eles.
E ensinei alguma coisa? Não! Devem estar os três a pensar: quando tiver filhos NUNCA vou ter dias-dos-pais-que-não-queremos-ser. (Sim, sim, fiem-se na virgem e não corram...)
Filhinhos do meu coração. Eu já fui essa que dizia que nunca iria dizer Não aos meus filhos e agora um Não até é do melhorzinho que faço por vocês.
A Baby Madalena estava com febre e não me largou o colo. Para além de acompanhar com uma sonoridade de endoidecer e qualquer ameaça de a pôr no chão os gritos eram mais que muitos.
A Maria vai acampar com as guias. Já é o quinto acampamento que faz e a mochila foi sempre preparada na véspera. Erro!
O Duarte não ouve uma palavra que lhe digo e só quando eu entro em modo a-mãe-que-eu-não-quero-ser é que percebe que da-mãe-que-eu-não-quero-ser já perdeu o tino. Too late!
Os dias-da-mãe-que-eu-não-quero-ser não vão acabar, eu sei. Mas podem melhorar. Até porque eu não me aguento nesses dias.


Antídoto contra dias-da-mãe-que-eu-não-quero-ser:
1. Respira (Mas respira mesmo. Fecha-te algures (ok no WC) e respira. Sai quando estiveres tonta de prazer (ou existir perigo de vida lá fora) e pronta a começar tudo de novo.
2 . Cala-te! Cala-te! Cala-te! Não entres naquele ralhar sem fim que já nem tu te consegues ouvir. Vai ver-te ao espelho (vai!) e percebe que estás ridícula. (Olha, não te está a aparecer aí uma verruga na ponta do nariz?!)
3. Vai apanhar ar. Sai, troca, passa ao outro e não ao mesmo. Rebenta a bolha. Grita a pedir ajuda. Diz a alguém que os teus filhos correm o risco de ficar surdos ou traumatizados para toda a vida.
4. "Floribela" o teu discurso (mais tarde) e encurta-o. Mas encurta mesmo. Já que não te podes calar. 
5. Não digas nada que te faça arrepender. Tipo ... nada. Não digas, nem escrevas. Nem corras o risco dos teus filhos te dizerem uma boa verdade, porque aí o teu papel pode ser posto em causa e teres de enfiar a viola no saco.
6. Não acuses, não ameaces que isto não é nenhuma série de direito da Fox Live. 
7. Abraça o Marcelo que há em ti. Muda lá esse mood e troca por beijos e abraços. 
8. Em vez de separares águas, mergulha. Isto está a acontecer porque estás a nadar sozinha. Ora tenta lá fazer natação sincronizada a ver se a dança não é outra...
9. Organiza-te. Abraça também as to do list e deixa para amanhã o que não podes fazer hoje.
10. Caga no multitasking. Essa cena acaba sempre com um prato partido, o telefone na retrete ou o verniz das unhas todo lixado porque não secou até ao fim.
(Dedicado ao meu dia de ontem que teve uma boa parte da-mãe-que-eu-não-quero-ser.)






3 comentários:

  1. Obrigada, Rita! Tive uma semana tão cheia da-mae-que-nao-quero-ser, que agora, dividida entre o sono, o cansaço e a incapacidade de dormir, ao ler o seu texto (acho que devia dizer antes "partilha"), respiro fundo, percebo que não sou só eu que, estes dias, fazem parte e não fazem d nos a-pior-mae-do-mundo... mesmo que tenhamos de arranjar antídotos para eles!
    Que nos espere um dia da-mae-queremos-ser (e que acho que até somos)!

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  2. Rita querida:

    Também tenho três, o mais novo com 13 anos. Adoro ler-te e adorei ler o teu último post. Tenho tantos dias desses de mãe-que-não-quero-ser. Tantos, tantos! E sim, porque somos dinâmicas, porque fazemos coisas ao mesmo tempo, porque damos conta do recado. Não, não damos...há mesmo alturas em que temos que parar e fazer todas essas coisas que referes. A sério.
    Mas olha, não te culpes, nem entres em auto-comiseração. Os filhos "arrumam-nos muito bem mas cabecinhas" e os 500.000 (infinitos) outros momentos em que somos as mães-que-queremos-ser COMPENSAM todos os outros e fazem-nos alicerçar muito bem, de forma equilibrada, as mães que somos para eles.
    Um grande beijinho.

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  3. Quebro tenho esses dias é a minha Filha que rapidamente me põe na ordem, e diz :Mãe, eu sei que o seu dia correu mal, mas não pode descarregar em cima de mim!!!! Fico para morrer! Baixo me, olho nos olhos, peço lhe desculpa e dou lhe um abraço e agradeço por ela me ajudar... Às vezes diz me desculpo 1%, não posso estar sempre a desculpar. Tem que se corrigir! # algumacoisaestouafazerbem

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