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Olha a nova tribo.

Tempo de leitura: 3 minutos

Nómada – verão – 6a edição

Até onde te levar a alma

Ainda que algumas das pessoas que entram nesta edi- ção não sejam exatamente nómadas, algo me levou até elas para conseguir contar alguns conceitos que lhe são
inerentes. A ideia era inspirar de forma a conseguirmos encontrar um pouco de algo em nós e no nosso dia a dia que nos traga sensação de liberdade, vontade de busca e alegria na descoberta. Porque há gente que viaja e que, à mesma, se sente presa, e gente que está presa, mas que encontra força para as mais belas viagens.
Eu própria, a fazer esta revista, sou tantas vezes nómada que quis trazer essa sensação para aqui. Não só pelo passeio que faço entre as mais diversas histórias, lições e personalidades, como por andar de norte a sul, de mochila às costas, máquina a tiracolo e vontade de fazer diferença, à descoberta do que possa ser a verdade das pessoas. Desde o número um que aprendi a ir com espí- rito aberto, a ser acolhida por pessoas que não conheço e a acreditar que, durante aquele dia, essa será a minha família. É uma sensação de conhecer, de aprender, de devagarinho nos mostrarmos um pouco mais, até termos a impressão de que chegámos a casa.
Também sou nómada quando escrevo e quando tento adaptar os meus momentos mais criativos às necessidades da minha família. Juro que um dia já me fechei na casa de banho a redigir um texto porque foi onde encontrei aquela paz que é preciso para fazer nascer. De divisão em divisão, de estação em estação, a minha vida adaptou-se ao que quero e tenho de narrar.
Nesta edição conheci as pessoas mais incríveis e que me ensinaram tantas coisas. A fazer a mala da mente com o essencial e a deixar espaço para o desconhecido. Pode parecer fácil. Não é sempre.
Guardei a Maria e a Noá, que fazem capa desta edição, durante quatro meses a sete chaves.Vi-as tornarem-se mais conhecidas todos os dias até sair esta revista. Sabia que era impossível que a história delas permanecesse muito tempo incógnita. Mas queria muito ser eu a apresentá-las. Passei um dia maravilhoso com as duas que andam de sítio para
sítio, mas chamam lar ao simples facto de estarem juntas. Basta isso, sei agora. Obrigada, Maria.
Também adorei trazer a história do Zé Filipe que é promotor de eventos, muitos temperados ao estilo da (intensa) música eletrónica, mas que durante três semanas no verão, pega nos dois filhos e ruma ao oposto. Comprou uma ruína nos Açores para experimentar o antónimo à sua profissão. Nesse tempo, vivem da caça e da pesca que fazem (ou não fazem), do que colhem (ou não colhem), da generosidade dos (poucos) vizinhos, em plena comu- nhão com a natureza e entre eles. Não é tudo fácil, mas é tudo memorável. Fomos conhecer a sua nova aquisição, a que os levará para mais aventuras por cá, sempre com vista a estarem mais perto da sua essência.
Agora imaginem isto mas a juntar animais selvagens. É que há um casal de portugueses que, com os dois filhos, vivem em plena reserva em Moçambique e que até já um elefante lhes foi dar os bons dias à janela da cozinha. O
“baby-sitter” da filha mais velha é um cão que não larga a função um segundo e que dá o alerta ao mínimo sinal de perigo. Estive com eles em Portugal antes de nascer o novo bebé mas deixamos imagens das aventuras que vivem lá.
Depois há também as viagens interiores e tanta gente que trabalha para ajudar a mostrar um caminho a quem acha que não o descobre. Seja pelo som, seja pelo íntimo da mulher ou pelo combate à solidão. Há muitas formas de sermos nómadas em nós próprios.
Dei um passeio incrível no percurso de João Perre Viana e no seu projetoWalking Mentorship que demorou 20 anos a preparar e que consiste em caminhadas em plena natureza, em direção à autodescoberta. Desses passeios, que reúnem pessoas de várias nacionalidades, já nasceram casamentos, divórcios, reconciliações, encontros e um sem número de histórias incríveis.
E eu, peregrina das emoções, das biografias simples mas notáveis, sei que esta edição me tornou uma pessoa mais livre, mais frugal e mais atenta.
Espero que adorem a viagem.
Até onde te mandar a alma
Beijinhos à vossa Tribo,
Rita Ferro Alvim

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