Sobre o amor

Tempo de leitura: 2 minutos

Ando a pensar que o tempo não chega para amar os meus filhos. Que tenho tanto cá dentro, muito mais do que mostro {ainda mais do que mostro}.
O tempo que tenho para tratar deles, da casa, do trabalho, impede-me tantas vezes de poder dizer tanto que os adoro. Que os venero. Que são tudo. Que são o melhor que fiz nesta vida.
As migalhas no chão obrigam-me a baixar e assim não dá jeito falar. A estender a roupa, a tirar a loiça da máquina, a fazer camas, o jantar, perco o fôlego.  Faço estas tarefas quase sempre calada. Mais… Muitas vezes a pedir que vão para outra divisão, que estão a sujar o que limpei, que me deixem sozinha um bocado, para despachar tudo rápido. Ao computador, para me concentrar, estou muda. E os dias passam…
Na verdade, o que queria era não fazer. Era parar tudo e vestir o fato de homem-aranha pela milionésima vez ao boy ou maquilhar a girl, mesmo depois de lhe ter dado banho. Na verdade o tempo não me deixa amá-los em pleno. Na verdade tenho muitas vezes de ignorar o tempo para amá-los. Na verdade já passou todo este tempo, tão depressa, e não chegou para conseguir mostrar o quanto os adoro. [Será que sabem?!]
O tempo, ou antes a falta dele, traz-nos stress, pressa, nervos, cansaço, irritação. Retira-nos a atenção do essencial. Troca as voltas às nossas prioridades. Enche-nos de demasiadas rotinas. Priva-nos da beleza. Coloca-nos no alto, déspotas, a olhar de cima, sobre eles.
Um dia ensinaram-me o truque de me pôr à altura deles, de joelhos ou sentada, e ver como são pequenos. Como o mundo deles é frágil e mínimo.

Devemos zangar-nos ao tamanho deles. Descer e ver o mundo ao seu nível. Eles são tão pequenos. Quando descemos, ficamos minúsculas. A voz já não sai tão alto, os castigos transformam-se em abraços e podemos ver aqueles olhos e aqueles sorrisos. Descer mostra-nos o quanto eles são enormes para nós e o que representamos para eles. Descer contagia-nos de amor.

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24 thoughts on “Sobre o amor

  • Que lindo Rita!!! Como a compreendo…
    Obrigada por nos brindar com pensamentos destes tão puros e verdadeiros!!
    Muitos beijinhos
    Maria João

  • Tão lindas as suas palavras! Parabéns pela forma como se expressa.
    Eu tenho duas bebés de 13 meses e sinto o tempo a escapar-me pelas mãos.Sinto que não dou o que lhes devia dar…
    Amo-as tanto, mas tanto, que chega a doer o tempo que passo longe delas. Mas o dia-a-dia não me permite mais. E tenho pena
    Beijos

  • Lindo! Obrigada! Publiquei no meu FB e imprimi para pôr em casa em sitio bem visivel para que nós pais voltemos a ele sempre que o estivermos a esquecer…Obrigada!

  • Amei este post…. estou de lágrima no olho porque e exatamente o que sinto e o que tantas vezes penso quando faço o balanço do dia!
    Obrigada Rita, mil bjinhos ♡♡♡
    Joana Russell

  • Pensava que era só eu. Ao fim do dia, depois de brincar com ela entre o jantar, a arrumação da casa, a preparação do dia seguinte e por aí fora, ouço-me a dizer "deixa a mamã um bocadinho!". Às tantas não dá mais, mas depois sinto-me culpada… Também tenho que descer. Obrigada.

  • Obrigada Rita! Revejo-me muito neste lindo e emocionante texto! E nunca é demais lembrarem-nos que temos de descer ao mundo deles. Desde que faço isso com a minha M que a vida tem outra doçura. E a roupa para passar pode esperar, a loiça para arrumar também e tantas outras tarefas domesticas que achamos que temos de fazer e que não podem esperar.
    Na verdade tudo isto pode esperar, porque se não fizermos agora, faremos amanhã ou depois. Mas os nossos "bebés"crescem rápido demais e mudam a cada instante. Por isso a atenção deveria ser constante…mas nunca é todo o tempo a 100%. Pelo menos que o tempo que passamos com eles, que é sempre menos do que gostaríamos, seja de 100% de atenção e dedicação. Acredito que com tanto AMOR serão adultos bem resolvidos e cheios de confiança e amor próprio. è o que desejo para a minha M e para os vossos. Grande beijinho a todas e um especial á RITA. Obrigada por posts diários tão deliciosos e por lindas fotos.

  • lindo!! já estou com remorsos de me ter zangado com a Catarina … está cada dia com mais ciumes da mana Sara e estica a corda até rebentar! …uiiiii…. mas é mesmo isto estas palavras sentidas são a mais pura verdade ….eles são o nosso prolongamento e sem eles a vida já não faz sentido….

    beijinhos i

  • Lindo texto!

    E esse truque de nos baixarmos ao nível deles por vezes funciona mesmo 🙂 De vez em quando, quando ando mais irritada desço ao 'seu mundo' visto de baixo e as coisas parecem-me sempre diferentes 🙂
    Gostei muito de ler!

    Beijinhos grandes Rita***

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