Carta aos meus filhos #8

Tempo de leitura: 2 minutos

Queridos filhos, daqui mãe!
Já não vos escrevo há algum tempo. A razão porque isto aconteceu é simples: Não vos escrevi para vos viver. Porque tenho aproveitado o tempo convosco. Conosco.
Muitas vezes, a nossa vida torna-se indomável. Corre como cavalos selvagens e andamos assim a galope dela, a toda a velocidade. Podíamos até apreciar a viagem não fosse ela dotar-nos de uma cegueira completa com tanto a acontecer que acabamos por ficar com pouco. Quando olhamos para trás, vemos o que perdemos, os caminhos que não percorremos, os trilhos que esquecemos e o que não parámos para absorver.
Não é preciso muito para isto. O que é preciso é mesmo nada. Parar. Ficar. Observar. Acompanhar.
E assim foi. Assim tem sido. Não escrevi para vos viver. Para nos viver.
É uma opção, sabem? Vivermos.
Podemos escolher que a vida viva por nós. Que tudo se atropele e corra em segundos. Meter mil compromissos numa mochila e carregar o peso sem o questionarmos. Ou, então, podemos esvaziar-nos de conteúdo para a viver.
Podemos largar a dependência da agitação, desse açucar que o stress dá, mas que tem efeitos secundários graves na vida de uma família. O doce está no nada. Naquelas que são as pequenas grandes coisas.
Observar. Ficar apenas a observar-vos/nos. Brincar. Ser criança com vocês, mesmo quando me lembro que, às vezes, sou adulta. Que tenho de ser adulta mas que as tantas vezes que sou criança vos tenho de agradecer.
Foram vocês que me fizeram regressar ao melhor do meu ser.
Pensar em amor antes de agir. Não julgar, não criticar, não fazer juízos de valor, não esperar por amanhã, não ficar agarrada ao que passou, como tanto fazem os crescidos.
E quando, sem querer, regresso a ser crescida, volto a pensar no amor e a responder só com ele. Ou pelo menos a saber que não estou a reagir com amor e que o tenho de procurar dentro de mim, muitas vezes [quase todas] inspirada em vocês. E aí fica perfeito.
Queridos filhos, não vos escrevi porque vos estou a viver. Com todo o meu ser. Porque vos estou a absorver, porque estou a aprender e a apreender, porque estou a crescer. Porque, com vocês, estou a voltar a ser criança outra vez.

Adoro-vos,
Mãe

13 thoughts on “Carta aos meus filhos #8

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *