Nunca seremos iguais.

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A intuição, a magia da gravidez, de dar à luz, a sensibilidade, o amor que chega para os nossos e para os outros. A força. O acordar diariamente pronta para tudo. Os conselhos. A justiça. A gestão. A harmonia. O altruísmo. O pôr-se constantemente em segundo, terceiro, último plano e, ainda assim, sentir-se feliz com isso.
O fazer tantas coisas, estar em tanto sítio, o deixar uma marca de generosidade.
Não sou pela igualdade. Sou pela verdade de que somos tão especiais. Que marcamos. Sou pela liberdade, pelo sermos seres individuais e por encontrarmos a nossa força, o nosso talento, o nosso caminho, a nossa alma, a nossa verdade, o melhor de nós.
Relembro sempre neste dia as injustiças, como as que foram e são feitas diariamente e ainda aos considerados “mais fracos”. O desbravar caminho de algumas mulheres à frente do seu tempo. A falta de oportunidade, de equidade, de salários. Os abusos. De força e de poder.
Também relembro as que me marcaram com delicadeza, sabedoria. A minha bisavó, com quem vivi 8 anos, escritora, poeta, viva, amiga e que nem 20 anos numa cama presa por uma trombose, e como me dava explicações de físico-química e matemática com 100 anos. Mas também escrevu sobre plantas e tinha a coleção de conchas e búzios mais bonita que já vi. Os seus olhos azuis-mar brilhantes de amor.
O talento da minha  avó materna e a perfeição das suas toalhas de renda e casaquinhos de lã, dos cozinhados e de, basicamente, qualquer trabalho onde ainda, com 90 anos, entregue as suas mãos.
E da avó paterna, que todos os dias sinto falta, da sua graça, perspicácia, e de como aglomerava e iluminava uma sala. 
[Aliás, só a mulher ilumina uma sala. Ou não?!] 🙂
E à minha mãe. A mulher mais especial para mim.
Nunca seremos iguais. Para mim esta é a melhor e a mais doce verdade neste dia.
[Quem é que se agarra ao coração nos momentos especiais?]
Parabéns a todas e a todos os homens que as respeitam e admiram. Obrigada aos que dão valor à mulher*. Aos que caminham ao lado, de mãos dadas, em vez de à frente à passo apressado e altivo. Obrigada às que marcaram e aos que se deixaram marcar.
Obrigada à minha filha que tanto me ensina (e à que está a chegar). Que sempre se sintam mais por terem nascido mulheres. Que abracem as suas diferenças, mas as que vêm do coração. Essa é a grande virtude do ser humano. A que tem de ser celebrada diariamente. Uma bênção. Ao meu filho que tenha a sensibilidade [e a inteligência] de olhar para a mulher, de a celebrar e de a amar (uma de cada vez.;)). E que, acima de tudo, sejamos mulheres sempre umas com as outras.

*E o texto abaixo onde o meu bisavô, antes de morrer, se despede do filho, – meu avô.  [e porque só teve filhos. Podia ser a uma filha.] E é isto. Para todos, homens e mulheres.

«Uma última recomendação: sê bom, sê bom através de tudo,
até quando tenhas de responder à maldade dos outros.
 A glória humilde, a glória íntima do coração é a maior
e a mais bela de todas.
 Não poder continuar a fazer bem aos outros,
 a ser, ao menos, gentil para com eles,
 é agora o meu maior sofrimento.»

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