Things to keep… 1

Tempo de leitura: 2 minutos

Rasguei um papel à frente de uma colega
 e pedi com licença…
Ficou a olhar para mim até que me disse com ar enternecido:
– Já não estou habituada a essa educação mais antiga.
E foi assim que fiz uma viagem às tantas coisas
que guardo das minhas avós…
Uma cá,
a outra lá…

 – Que SAU-DA-DES!-
 (Dou um beijinho no pão antes de o deitar fora…
Lembro-me que isso
– e quando não comíamos tudo –
 vinha acompanhado da frase:
 «Com tantos meninos a passar fome…»
Faço o sinal da cruz na testa quando cai vinho na toalha,
quando há bebés, doenças e alegrias.
«Mind the children!» quando as conversas não eram próprias
para se ter à frente das crianças…
Quando o Inglês já não resultava, veio o Francês.
Que não se brinca com a comida,
que não se canta à mesa,
que se deve respeitar as pessoas mais velhas.
Ainda rezo ao Santo António para encontrar coisas.)
São de outros tempos…
De poupança, de contenção, de crenças, tricot, família e bolos caseiros.
  Guardo a ternura com que olham para os meus filhos…
 A avó Pó já não conheceu o boy,
mas até nos despedirmos,
– já longe, longe –
pousava – feliz – a mão na minha barriga.
Nunca conheceu o meu filho…
Morreu em Agosto,
ele nasceu em Dezembro…
mas ganhou as cores dela
para que nunca me esqueça
o maravilhoso que é ter avós…
  E bisavós!

Esta está cá e quero tanto, tanto que seja eterna!
 
 
 

10 thoughts on “Things to keep… 1

  • e derrepente naveguei na minha infância e sorri a ouvir as palavras sábias da minha Avó Teia (Doroteia)…. e por sinal, todas as avós eram sabias.
    Será que nasciam já assim ?!
    😉 Beijinho Rita

  • Oh Rita que post tao bonito e terno… que me fez lembrar o meu pai…que também já cá não esta e era de outros tempos….
    um grande beijinho

  • Diz-se que quem tem mãe tem tudo…mas quem tem avós e bisavós tem mais que tudo. Felizmente ainda tenho todos os meus avós presentes e por sinal o Santiago também os tem. Do alto dos seus 18 meses chama pelos bisavós Zé; Xim Xim (Serafim); Fanana (Fernanda) e a Cáme (Carmen).
    Fico feliz por ele poder aprender ainda tantas coisas com eles.
    Dos meus avós tenho as melhor recordações, mas a minha segunda mãe a avó Nana é quem mais me ensinou até hoje.
    É estranho ouvirmos alguém achar estranho sermos educados, quando isso devia ser algo já intrinseco em nós.
    Antigamente haviam valores, havia familia, hoje as pessoas esquecem-se de que é isso o mais importante e não o consumismo e o stress do dia a dia.
    Tenho saudades da minha infância mesmo só tendo 33 anos, queria tanto voltar atrás mas já não me é possível. Mas há uma pessoa da qual sinto falta o bisavô Ganhão, sentada ao lado dele no sofá ouvia histórias de encantar e comia figos secos que tanto adoro.
    A vida pode parecer madrasta porque nos leva quem mais gostamos e com quem tinhamos tanto ainda para viver e aprender; mas todos ficam no nosso coração.

  • As saudades que eu tenho da minha avó E.. Também ela já estava longe, quando lhe contei que esperava um bebé, ninguém o soubera antes dela. (tinha medo de a perder sem que ela soubesse)

  • Oh Rita!! Que bonito, estou com um nó na garganta, uma mistura de sentimentos, saudade, alegria, tristeza, sinto-me agradecida e sinto que também tenho a sorte de ter tido avós assim que nos transmitiram tantos princípios, valores, crenças, carácter e educação.
    Estamos a preparar as coisas aqui em casa, porque a minha Avó Zita vai ter agora às 16h alta do hospital, repetiu um AVC. A esta avó devo muito, e nesta fase em que é ela que precisa tanto de nós, só lhe posso garantir que vou estar aqui até ao fim! Como ela esteve connosco desde o principio!
    OBRIGADA! Temos mesmo de valorizar esta herança, que não tem preço, mas que está em extinção: VALORES, TRADIÇÕES, EDUCAÇÃO, RESPEITO.

  • Rita: impressionante. Mesmo. Impressionante como me revejo em tudo. Beijinho no pão, o sinal da cruz, o Santo António, ….E como devemos as mulheres que somos às avós que temos. No meu caso, avó mais que querida e amada e por isso é a Vovó Santa, desde sempre, para todos. E o avô também, e agora que são bisavós são de uma ternura que não se aguenta!

    Mas não são valores de antigamente: eu tenho 22 anos e sempre fui assim e estou a educar a minha filha (e filhos que se Deus quiser virão) da mesma maneira. Vê-se menos, mas cabe-nos a nós perpetuar o Bom e o Belo através dos nossos filhos, e eles na geração seguinte e por aí fora.

    E tanta coisa que o meu marido, de outra linha educacional totalmente diversa, já adoptou e tomou para a sua vida como se viesse de berço…quase tudo, aliás! Se se reconhece que é bom, é inevitável querer para nós também.

  • Oh Rita que post tão bonito!!! Até me emocionei . Eu também aprendi todas essas coisas… pedir licença quando rasgo papel, dar beijinho no pão, o Santo António…
    Já não tenho nem as avós nem os avôs, cá na terra ao pé de mim, mas sei que os tenho sempre ao pé de mim. Para além dos avós, tenho 2 tias avós muitos especiais tb já no céu), que eram como avós para mim e para as minhas irmãs. Lembro-me tanto delas, das coisas sábias que diziam…Que saudades de todos!
    De facto era outra educação que agora, infelizmente, não se encontra sempre. Mas é essa a educação que acho certa e a que quero passar aos meus filhos (à Benedita que vem já em Agosto 🙂 e aos próximos.
    Agora que estou grávida e que sinto na pele, reparo na falta de educação e de consideração que têm. Nas filas dos supermercados , mesmo estando na fila prioritária, nas filas das casas de banho… enfim! Não é que quisesse passar à frente, pois se perguntassem se queria o mais provável era dizer que não, a não ser que sentisse mesmo necessidade disso, mas o facto de não haver sequer essa consideração… olham, vêem a barriga e viram a cara, é incrível

    Parabéns pelo blog, pelos seus filhos, pelos seus princípios , pelo seu livro.
    Continue a alimentar-nos " com coisas boas!
    Bjs

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