Poema mínimo para menino enorme

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Parou.
Parou o tempo, a vida, a esperança
parou o sonho do que é ser-se criança
parou a justiça, a crença, a fé
parou quem seguia de carro ou a pé.

Pararam os planos e as intenções
parou desde o futuro ao presente
Pararam agendas e marcações
Parou o que tínhamos em mente.

Pararam as mães, os pais, os avós
Parou o sorriso.
Parou os que têm e os que não têm voz.
Parou o vento que passava no friso.

Parou o frio e o calor.
Pararam todos os problemas do mundo
Parou a dor, o sofrimento e até o som do imolador
Parou tudo um segundo.

Parou o bater do coração
– o sangue estancou nas veias –
Parou a respiração
e o canto das sereias.

Pararam as andorinhas
e as estações do ano.
Pararam no coro aquelas vozinhas
Parou Vivaldi que soava ao piano.

Pararam as ondas do mar
(ou pelo menos assim o parecia)
Parou o tempo e o ondular
Parou quem já nada sentia.

Parou tudo num abraço apertado
só para agradecer
para pedir por quem é nosso adorado
para nunca, mas nunca, desaparecer.

Parou tudo o que é pequeno
e parou tudo junto
parou quem estava apressado ou sereno
parou tudo mesmo em conjunto.

Mas nunca parou o amor
Que em nós fez nascer o Rodrigo
E mesmo com tamanha dor
no coração estará para sempre, vivo.

11 thoughts on “Poema mínimo para menino enorme

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