Carta aos meus filhos #1

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As semanas têm andado a voar. Às vezes paro, olho para eles e acho que cresceram centímetros de um dia para o outro, sem pedirem autorização. Às vezes paro para ver se estou a fazer um bom trabalho. Que o passado foi bom, que o presente é bom, que o futuro pode ser ainda melhor.

Talvez seja de andar com tanto trabalho que o tempo passa mais rápido. Talvez seja mesmo deles que, de uma estação para a outra, deixam de servir em sapatos, calças e ocupam mais espaço na nossa cama. A par das pernas, braços, pés e mãos, também cresce esta coisa que mora cá dentro que sinto por eles, que dizem chamar-se amor.
Deste amor vem uma admiração gigante, uma paixão intensa, mas também um cansaço brutal, uma exigência imensa, uma atenção redobrada, uma ternura incontrolável, uma alegria imensurável, um orgulho infinito. Um renascer todos os dias. Uma vontade de ser melhor, de ser maior todos os dias. Uma energia que vem da vontade de os ter sempre mais um segundo comigo.
Ser mãe é mais fácil quando não se pensa na responsabilidade. Quando não se pensa nos azares ou no futuro. Quando não se pensa em nada.
Mas é a maior coisa do mundo. Uma benção que nos foi emprestada para a oferecermos ao mundo.
Nem sempre concordo com Saramago mas ele tem um pensamento* lindo sobre isto.
Os filhos não são nossos. Não são pertença nossa.
(Mas uma parte da minha casa também ainda é do banco e eu amo-a como fosse mesmo minha.;))
Interiorizar uma bomba destas não é fácil e conhecer os meus limites enquanto mãe é a maior missão da minha vida.
Dar-lhes asas mas ampará-los, deixá-los navegar mas ser um porto seguro. Ignorar medos mas sensibilizar para os perigos. Deixá-los saltar mas ensinar a terem os pés assentes na terra. Mostrar-lhes o futuro e fazer com que conservem o passado. Educar, mimar, ralhar…
Ninguém sabe a fórmula do pai perfeito. Ninguém sabe se um dia eles nos vão amar incondicionalmente como agora. Digno-me a tentar fazer o meu melhor. O melhor que sei, o melhor que posso. Espero que um dia eles saibam isso. (Nem que venham aqui ao blog ler este post!)
Beijinhos e bom fim-de-semana!!




*”Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como?  Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.


Fotos: Crush

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